sábado, 1 de janeiro de 2011

Ataque a Igreja Cristã - Copta em Alexandria Egipto em Dia de Ano Novo!!!

Uma explosão, esta madrugada, numa igreja copta de Alexandria, no Egipto, matou 21 pessoas e feriu perto de meia centena. As autoridades acreditam que se tratou de um atentado suicida e, pouco depois do incidente, registaram-se confrontos entre cristãos e muçulmanos naquela cidade.
As primeiras informações indicavam que a explosão teria sido causada por um carro armadilhado, mas já esta manhã o Ministério do Interior egípcio corrigiu a informação. Segundo um porta-voz, não há sinais de que a detonação tenha tido origem em nenhum dos carros que foi destruído e “é provável que o engenho que causou a explosão tenha sido transportado por um bombista que morreu no meio da multidão.

Segundo a BBC, o incidente ocorreu pouco depois da meia-noite, quando os fiéis saiam da celebração de Ano Novo na Igreja de Alal-Qidiseen, que ficou danificada na explosão.

Na confusão que se seguiu, grupos de cristãos entraram em confronto com a polícia e com muçulmanos que residiam junto ao local e há informações de que uma mesquita foi atacada. A agência AP refere que manifestantes invadiram a mesquita atiraram livros e objectos de culto para a rua. A situação acabaria por acalmar com a chegada de reforços da polícia ao local, mas um correspondente da BBC dá conta de uma situação “muito tensa” na zona.

O Presidente egípcio Hosni Mubarak condenou de imediato o ataque e pediu a cristãos e muçulmanos que não se virem uns contra os outros, sublinhando que as duas comunidades “devem estar unidas no combate ao terrorismo”. Teme-se, no entanto, que o incidente agrave a tensão acumulada nos últimos meses entre as duas comunidades.

Os cristãos coptas representam dez por cento da população e há muito que se dizem discriminados e perseguidos pela maioria muçulmana. Ainda em Novembro, a polícia matou a tiro um manifestante durante protestos contra a suspensão de uma Igreja no país

Ainda ninguém reivindicou o ataque, o mais sangrento no país desde uma série de ataques contra estâncias turísticas junto ao mar Vermelho, em 2004 e 2006. Esta manhã, porém, o Ministério do Interior dizia suspeitar do envolvimento de “elementos estrangeiros” no ataque, termo habitualmente usado para identificar grupos próximos da Al-Qaeda, suspeitos também de envolvimento nos ataques, nas últimas semanas, contra igrejas da minoria cristã no Iraque.


Homilia de D. José Policarpo na Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, Dia Mundial da Paz
“A Religião e a construção da Paz”
1. “Na plenitude do tempo, Deus enviou o Seu Filho, nascido de uma mulher” (Gal. 4,4), Santa Maria, Mãe de Deus. A maternidade de Maria significa a plenitude da intervenção amorosa de Deus na vida do homem e na história da humanidade.
O homem e a sua história nunca atingirão a sua plenitude sem Deus, se esquecerem Deus e o seu amor. Esta consciência da importância decisiva do amor de Deus na vida dos homens faz parte da consciência colectiva da humanidade desde os tempos antigos, tanto nas religiões abraâmicas como noutras grandes religiões. O amor de Deus é sentido como bênção: “O Senhor te abençoe e te proteja. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. O Senhor dirija para ti o seu olhar e te conceda a paz” (Num. 6,22-27). A Encarnação do Filho de Deus no seio de Maria é a máxima expressão desta bênção com que Deus abençoa a humanidade. Neste, seu Filho, feito Homem, Deus acolhe, de novo, todos os homens como filhos, com a ternura de um Pai.

2. A relação de Deus com o homem é indesligável da sua realização e da construção da paz. É por isso que esta Solenidade, desde o Papa Paulo VI, é ocasião para os Papas dirigirem à Igreja e à Humanidade uma mensagem, onde se põe em evidência a relação da fé em Deus com a construção de uma sociedade justa, que respeite e cultive a dignidade e a grandeza da pessoa humana, em ordem à construção da paz. No fundo, trata-se de lembrar a importância da relação da fé religiosa com a sociedade e a história humana. E isso aplica-se não apenas ao judeo-cristianismo, mas a todas as grandes religiões. E a primeira condição para que esta relação da sociedade com a fé religiosa seja fecunda para a própria sociedade, é o reconhecimento da liberdade de consciência e de religião como manifestação da dignidade da pessoa humana. O Papa Bento XVI intitulou a sua Mensagem para este Dia “Liberdade religiosa, caminho para a Paz”.
No horizonte das suas preocupações estão aqueles países e regiões do mundo onde esta liberdade de religião não é reconhecida. Ouçamos as suas palavras: “De facto é doloroso constatar que, em algumas regiões do mundo, não é possível professar e exprimir livremente a própria religião sem pôr em risco a vida e a liberdade pessoal” (n.º 1).
Nós vivemos num país onde há uma Lei da Liberdade Religiosa, que reconhece todas as religiões e garante a liberdade de consciência e de culto. Mas num tempo em que tudo ganha um sentido novo à escala global, esta Mensagem desafia a nossa sociedade, antes de mais, a não se contentar com a Lei, mas a aprofundar e cultivar o papel da religião na construção da sociedade e a empenhar-nos na evolução desta situação a nível do Planeta. Na construção da harmonia e da paz no mundo contemporâneo, todos têm de se empenhar porque, como diz o Papa, “negar ou limitar arbitrariamente esta liberdade significa cultivar uma visão redutora da pessoa humana; obscurecer a função pública da religião significa gerar uma sociedade injusta” (n.º 1).

3. O reconhecimento legal da liberdade de religião, entre nós, é um marco importante na evolução da nossa convivência democrática, porque é um progresso de civilização. Mas a simples Lei não garante, por si, a valorização da religião, como valor decisivo, no progresso da sociedade. Esse é o sentido positivo da laicidade do Estado, que não se identificando exclusivamente com uma religião, está atento aos dinamismos da nossa cultura e aos valores acrescidos de outras religiões que hoje se exprimem no espaço nacional. Esta é tarefa de todos, políticos, legisladores, homens de cultura, crentes ou não; é tarefa dos próprios crentes que, na fidelidade à sua fé, aprendem a conviver e a reconhecer os contributos positivos de outras religiões.
Na sua Mensagem, Bento XVI ajuda-nos a tomar consciência dos valores que a religião traz à sociedade. Antes de mais, a abertura à transcendência do homem. Diz o Papa: “A sociedade, enquanto expressão da pessoa e do conjunto das suas dimensões constitutivas, deve viver e organizar-se de modo a favorecer a sua abertura à transcendência” (n.º 8). Todo o homem traz no seu coração a nostalgia da transcendência. Ele deseja ser mais e melhor do que já é. Não será esta uma lacuna da perspectiva cultural que emerge da nossa vivência do presente?
Ligados a esta abertura à dimensão transcendente estão os outros contributos que a religião pode dar à sociedade. Antes de mais, a dimensão ética, elemento constitutivo de uma verdadeira cultura. Ouçamos o Santo Padre: “O património de princípios e valores expressos por uma religiosidade autêntica é uma riqueza para os povos e respectivas tradições éticas: fala directamente à consciência e à razão dos homens e mulheres, lembra o imperativo da conversão moral, motiva para aperfeiçoar a prática das virtudes e aproximar-se amistosamente do outro sob o signo da fraternidade, como membros da grande família humana” (n.º 9).
Entre as perspectivas éticas que a religião, de modo muito particular o cristianismo, a religião dos nossos maiores propõe à sociedade, avulta o sentido da solidariedade e da comunhão fraterna entre os homens. Ouçamos, novamente, o Papa: “O relacionamento é uma componente decisiva da liberdade religiosa, que impele as comunidades dos crentes a praticarem a solidariedade em prol do bem comum. Cada pessoa permanece única e irrepetível e, ao mesmo tempo, completa-se e realiza-se plenamente nesta dimensão comunitária. Inegável é a contribuição que as religiões prestam à sociedade. São numerosas as instituições caritativas e culturais que atestam o papel construtivo dos crentes na vida social. Ainda mais importante é a contribuição ética da religião no âmbito político. Tal contribuição não deveria ser marginalizada ou proibida, mas, vista como válida, ajuda à promoção do bem comum. Nesta perspectiva, é preciso mencionar a dimensão religiosa da cultura, tecida através dos séculos, graças às contribuições sociais e sobretudo éticas da religião. Tal dimensão não constitui de modo algum uma discriminação daqueles que não partilham a sua crença, mas antes reforça a coesão social, a integração e a solidariedade” (n.º 6).

4. O Santo Padre afirma corajosamente que as dimensões éticas da religião são importantes para a construção e progresso da sociedade e que devem inspirar uma ética política. E isso não contradiz o princípio da laicidade positiva. Esta exclui tanto os fundamentalismos religiosos como os laicismos agressivos. “Ambos absolutizam uma visão redutora e parcial da pessoa humana, favorecendo formas, no primeiro caso, de integralismo religioso e, no segundo, de racionalismo” (n.º 8). E o Papa acrescenta: “no respeito da laicidade positiva das instituições estatais, a dimensão pública da religião deve ser sempre reconhecida. Para isso, um diálogo sadio entre as instituições civis e as religiosas é fundamental para o desenvolvimento integral da pessoa humana e da harmonia da sociedade” (n.º 9).
No nosso caso concreto de Igreja Católica, na Concordata celebrada entre a Santa Sé e o Estado Português, em feliz hora nos pusemos de acordo em que o princípio da cooperação, para bem de toda a sociedade, influenciaria as relações mútuas entre o Estado Português e a Igreja Católica. Posto em prática em acções concretas, esse acordo está muito longe de ser aplicado na elaboração dessas orientações éticas, que precisam de encarnar na nossa cultura e não navegar ao sabor de modas importadas de outros universos culturais. E a Igreja está hoje amadurecida para procurar essa cooperação no respeito de uma sã e positiva laicidade.

5. Este contributo à sociedade exige das comunidades religiosas um sincero diálogo inter-religioso e inter-cultural, tendo todas a coragem de erradicar as expressões que agridam a dignidade da pessoa humana. É o Papa quem o diz: “Nas variadas culturas religiosas, enquanto há que rejeitar tudo aquilo que é contra a dignidade do homem e da mulher, é preciso, ao contrário, valer-se daquilo que resulta positivo para a convivência civil” (n.º 10).
Mas este compromisso com a paz e a evolução positiva da sociedade representa um desafio muito concreto aos cristãos: “Os cristãos, por sua vez, são solicitados pela sua própria fé em Deus, Pai do Senhor Jesus Cristo, a viver como irmãos que se encontram na Igreja e colaboram para a edificação de um mundo, onde as pessoas e os povos «não mais praticarão o mal nem a destruição (...), porque o conhecimento do Senhor encherá a terra, como as águas enchem o leito do mar» (Is 11, 9)” (n.º 10).
Paróquia de Nossa Senhora da Conceição da Amadora,
1 de Janeiro de 2011

3 comentários:

Anónimo disse...

E ASSIM VAI O NOSSO MUNDO DE RAIVAS, ÓDIOS, INVEJAS, ENTRE OUTRAS COISAS MAIS, PELA NEGATIVA VEJO ISTO À BEIRA DE UMA GRANDE GUERRA MUNDIAL, INFELISMENTE.

Anónimo disse...

Para haver paz tem que haver guerra.
Se não se pode limpar tudo limpe-se alguma coisa!
Depois será a paz!

bettencourt disse...

...a todos os títulos condenável.
Tenho sérias dúvidas se a aparente tolerância religiosa, professada pelas comunidades islâmicas espalhadas um pouco por todo o mundo, não serve bem lá no fundo uma estratégia específica de disseminação do islamismo, dando cobertura por omissão a um certo tipo de fundamentalismo religioso que, sabemos nós, está na génese do terrorismo tal qual o conhecemos hoje.
Afinal de contas e segundo diz o profeta nós somos infiéis. À luz dos ensinamentos do corão, isso é um crime punível com a morte.
Sem direito a virgens.
O melhor mesmo é começarmos a pensar sériamente numa forma de nos precavermos contra o pior.
Alá longue.
Digo eu.

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