quinta-feira, 16 de junho de 2011

Os católicos não praticantes - RUI OSÓRIO - Voz Portucalense


Os católicos não praticantes - RUI OSÓRIO - Voz Portucalense

Num país tão sociologicamente cristão como Portugal, é frequente ouvir quem diga, com toda a naturalidade, que é católico não praticante.
É próprio de quem diz acreditar mas não põe em prática a fé.
A justificação desse comportamento varia de caso para caso, embora o mais comum seja o facto de as pessoas organizarem a sua vida sem tempo nem modo para quaisquer expressões religiosas.
Noutros casos, as pessoas têm conhecimentos tão superficiais da sua religião que qualquer pretexto lhes serve para deixar de a praticar. Outros conservam sazonalmente alguns actos sociais associados a rituais religiosos em alturas concretas, por exemplo,
baptismo dos filhos,
bênção das pastas dos finalistas universitários
ou sétimos dias da morte de familiares.
Será possível e lógico crer sem praticar?

Há quem deixe a prática religiosa e justifique que isso se deve ao desejo de mais autenticidade.
São os que dizem que não gostam de normas e de ritos.
Preferem a sua” religião “mais espiritual”
e avessa a estruturas.
Parecem-se mais a anjos do que a pessoas comuns.
É normal que os anjos não precisem de sinais, gestos e palavras para se comportarem como anjos.
As mulheres e os homens, porém, não são assim tão angelicamente espirituais.

Não se pode querer uma fé sem gestos, com a desculpa da busca de mais autenticidade.
Deus Pai enviou-nos o seu Filho, que habitou entre nós.
Algumas bíblias, em vez de traduzirem o acto descrito pelo evangelista João, na forma clássica — “e o Verbo se fez carne, e habitou entre nós”, preferem a expressão “e armou a sua tenda no meio de nós”, para expressar a ideia de que Deus, em Jesus Cristo, passou a morar numa tenda ao lado da nossa.

A fé (creio)
e a vida (não pratico) não podem estar tão separadas.
Por sua própria natureza, devem estar unidas.
Uma fé sem obras é morta:
Obras, mesmo muito piedosas sem fé tornam-se vazias.

De tudo isso já se deram conta os bispos espanhóis.
Entendem que o número de crentes que vivem à margem da fé
se deve “à secularização,
à indiferença religiosa
e à superficialidade” da sociedade.
Dizem-no na sua mensagem para o Pentecostes, que, em Espanha, foi o Dia da Acção Católica e do Apostolado dos Leigos.

Afirmam que os baptizados
que “não se interrogam sobre o sentido da existência”
acabam por ser “presas fáceis do relativismo
e do subjectivismo”,
porque não querem ter critérios diferentes dos não crentes.
Deixam-se levar com facilidade
pelo “culto do dinheiro,
do prazer
e do poder”,
afastando-se de Deus
e da Igreja que os gerou para a fé.
São cristãos que “se fecham à transcendência
e ao amor ao próximo”.
Tentam, ingloriamente, “viver a sua fé em Deus,
sem renunciar aos critérios do mundo”,
caindo no “individualismo religioso”.

São cristãos desses, também entre nós, que precisam de nova evangelização, urgente e criativa.
*conegoruiosorio @diocese-porto.pt

3 comentários:

Toni disse...

sou um viciado em café mas não tomo.

treta esfarrapada.....

Anónimo disse...

sou atleta do fcp, mas não sou praticante

Toni disse...

eu também sou sócio praticante, senão não presta, e quando tenho fome como, ou será que não...

catolico não praticante é a mesma coisa que ser não católico....

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