Existem, no contexto linguístico português, diferentes definições para a palavra “BRISA”.
Podemos, por exemplo, chamar “BRISA”, a um vento próximo da superfície do mar.
“A altitudes baixas (até uns 100 metros de altitude) os ventos locais são extremamente influenciados pela superfície, sendo deflectidos por obstáculos e zonas mais rugosas, e a sua direcção resulta da soma dos efeitos globais e locais. No começo do dia, o aquecimento do sol faz com que o ar estagnado no fundo, mais denso e pesado, comece a fluir ao longo das encostas sob a forma de ventos de vales. Há ainda o sub-grupo das “BRISAS marítimas”, em que as massas de terra são aquecidas pelo sol mais rapidamente do que o oceano, o ar em cima delas ascende e cria uma baixa de pressão no solo que atrai o ar mais fresco do mar. Ao cair da noite, há muitas vezes um período de calma durante o qual a temperatura em terra e no mar são iguais. De noite, como o oceano arrefece mais lentamente, a brisa sopra de terra, na direcção oposta, mas é geralmente mais fraca porque a diferença de temperaturas é menor”.
Podemos também falar daquelas “BRISAS” que se acentuam quando a “porta” não é fechada e começa a “conferenciar” com a janela de trás que, distraidamente, teima em ficar entreaberta. Popularmente talvez seja conhecida por “corrente de ar”.
E depois, temos a “BRISA”. A grande “BRISA”. A “BRISA” no verdadeiro sentido da palavra.
A “BRISA” que acredita ser “ possível responder às necessidades do presente, sem comprometer capacidade idêntica das gerações futuras”. Para isso, “aposta na responsabilidade social e no desenvolvimento sustentável das suas actividades empresariais”.
Mas há mais. Essa “BRISA”, a verdadeira, tem como primeiro objectivo (ver
www.brisa.pt), “Criar valor para os accionistas e para a comunidade”.
Pois claro. O primeiro objectivo não é “Desenvolver um relacionamento transparente com os stakeholders”; não é “Prosseguir objectivos de melhoria da eficiência e da eficácia”. O primeiro objectivo não é “Contribuir para o ordenamento do território e o desenvolvimento sustentável do país”, nem tão pouco “promover o bem-estar social (interno e externo)”, nem ainda “observar e desenvolver, voluntariamente, requisitos e projectos de qualidade na perspectiva da conservação da natureza”.
Não. O primeiro objectivo da “BRISA” é… “Criar valor para os accionistas…”.
Por isso, aqui está uma verdadeira questão para reflectirmos, neste tempo de alguma “corrente” que está a atingir Caldas de S. Jorge. Do meu humilde espaço onde (sobre)vivo, do meu espaço que tive e tenho de continuar a pagar à banca (não mo entregaram de mão beijada para habitar…), do meu humilde espaço que teve de responder ao cumprimento das mais elementares regras de construção, do meu humilde espaço que possui uma ligação à rede de saneamento (rede essa que não funciona) e cujo ramal e utilização eu tenho de pagar a peso de ouro a uma senhora que se chama “Indáqua”, quero transmitir-vos que sou um daqueles indivíduos que posso afirmar:
- NÃO DEVO NADA À BRISA!
Na verdade, não tenho que me curvar perante quem me cobra uma fortuna para circular nas suas concessões, permanentemente em obras (determinas vezes a proporcionar perigo a todos os automobilistas) e sem cumprir a sua verdadeira missão. Na verdade, não tenho qualquer obrigação de contemplação por quem possui quadros técnicos e administradores que recebem mais num mês do que eu durante 2 ou 3 anos. Não tenho que ajudar quem, ao fim de meia dúzia de meses à frente da gestão dessa “BRISA”, consegue auto-garantir milionárias reformas, saídas, em parte, do bolso de todos os contribuintes: dos que possuem carro, dos que só andam a pé, dos que preferem as auto-estradas ou dos que só podem circular em caminhos de cabras.
Por isso, apelo ao bom senso na avaliação dos prós & contras deste súbito interesse da “BRISA” pelas Caldas de S. Jorge.
Claro que talvez possam vir. Mas que venham de boa fé e num respeito pelas pessoas que cá habitam.
Parece-me claro, apesar de (eles) “não nos conhecerem” quando circulamos nas suas estradas, que ninguém se oporá à sua instalação na nossa freguesia. Desde que, num respeito pelas pré-existências e, evidentemente, em local apropriado. Ou seja, AFASTADOS DAS ÁREAS HABITACIONAIS.
Para que se possam evitar… indesejáveis “correntes de ar”!
GUGA.GAGO(este texto é da inteira responsabilidade do seu autor)