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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

o Castro...

...de Romariz

Depois de vários planos de intervenção que nunca saíram da gaveta, Manuel Jacinto o presidente da Junta de Freguesia de Romariz, em declarações recentes ao Correio da Feira, concorda que o Castro "está um pouco esquecido”. De momento, diz ele, não se augura nenhuma intervenção para o local, como tal não sei o futuro do Castro.
- Então quem é que sabe ? pergunto eu. E que tal se se fosse informar na Câmara junto de quem tutela este tipo de equipamentos ?
Para quem não sabe, esta povoação castreja faz parte de uma lista de Castros do Noroeste de Portugal e Galiza que serão conjuntamente avaliados pela UNESCO para serem candidatos a património mundial.
De cerca de 7000 ruinas de castros galaicos, apenas seis foram seleccionadas ( onde se inclui o Castro de Romariz) por reunirem condições para a candidatura e serão posteriormente ( se é que já não foram ) avaliados por inspectores da UNESCO.
Não me parece por isso sensato que o maior Castro de Entre Douro e Vouga, possa ser votado desta forma displicente ao abandono apenas porque inexiste uma política concreta e pró-activa de protecção, recuperação e valorização do nosso património arqueológico, concelhio, nacional e quiçá, mundial.
Segundo refere ainda o autarca eleito pelo PSD, “ Nas condições em que se encontra a principal referência de Romariz, é melhor que continue assim, que não esteja aberto a qualquer pessoa, para não existir mais destruição, como aconteceu no passado".
É um ponto de vista que eu não subscrevo, apesar de ser um mal menor.
Se o Sr Manuel Jacinto, presidente da Junta de Romariz, quisesse mesmo salvar o Castro, fazia uma lista de exigências dentro de parâmetros e em termos razoáveis, munia-se de um saca-rolhas e a seguir plantava-se à porta da Câmara da Feira.
Afinal de contas, está provado que o saca-rolhas salva o Castro.
(com o devido respeito)

Até Já

domingo, 16 de janeiro de 2011

...Dá-lhe Gas na Bilha !

- pegue lá 5 cêntimos, mas veja lá,
não vá gastar o dinheiro em vinho.
- Nã senhora, vou dar entrada pra um apartamento.

Gabinete de Apoio ao Sobreendividado (GAS)
O Município de Santa Maria da Feira vai ter um Gabinete de Apoio ao Sobreendividado (GAS) segundo informa o site oficial da Câmara. O site informa ainda que o GAS entra em funcionamento a 31 de Janeiro, nas instalações do Centro de Informação Autárquico ao Consumidor (CIAC), e destina-se aos munícipes que se encontrem numa situação de real carência económica. Este critério presume pois que possam existir no concelho situações de fictícia carência económica. Admito que sim.
Para quem ainda não está familiarizado com estes termos, o sobreendividado é todo aquele sujeito que estando já endividado se endivida ainda mais para poder pagar dívidas resultantes do endividamento anterior. Esta definição serve apenas para dizer que é geralmente através deste processo de renegociação de dívida que se chega ao estatuto de sobre-sobreendividado. A seguir e na mesma linha de raciocínio de sobre-sobre-sobreendividado e sucessivamente até se atingir o último dos patamares que é o de “teso que nem um arenque fumado”.
A intenção política da Câmara, apesar do cheiro a Gás, é aparentemente honesta. No fundo trata-se de apoiar os consumidores que pretendam recorrer ao crédito e acompanhar os que já se encontram em situação de sobreendividamento, renegociando os créditos e tentando impor aos consumidores mecanismos de autocontrolo dos seus gastos diários. Quer isto dizer em termos práticos, que o sobreendividado vai, por imposição da Câmara deixar de poder gastar dinheiro em chiclas e noutras merdas que só lhe fazem mal ao estômago, assim como passa a estar proibido de gastar dinheiro mal gasto em anti-depressivos ou outras substâncias alucinogéneas que o ajudavam a esquecer que era devedor, Português e de Santa Maria da Feira.
Tudo isto claro está, se o munícipe teso quiser beneficiar da experiência acumulada de um interlocutor declaradamente teso que o ajude a renegociar a sua dívida com um outro interlocutor e que a avaliar pelas notícias que nos chegam diariamente está mais teso ainda.
Ora, se considerarmos a exequibilidade destes pressupostos, quer dizer, se a medida for bem acolhida por todos os intervenientes no processo, é de esperar que ao munícipe teso sempre sobre o suficiente para que possa por exemplo pagar os aumentos do tarifário da àgua recentemente acordados em Assembleia Municipal. Ou por exemplo pagar as coimas que resultam do estacionamento prolongado nas imediações do Hospital. E quem diz estes aumentos, diz obviamente todos os outros que à pala da conjuntura económica passaram a vigorar desde o início deste fatídico ano de PEC’s, tenham eles (os aumentos) sido ou não promovidos pela Autarquia Feirense.
Há nesta problemática dois aspectos que me parece importante salientar:
- O primeiro, de natureza política refere-se ao facto de que a missão do C.I.A.C. é em tudo idêntica à deste novo gabinete (G.A.S.), não sendo por isso totalmente claro para o contribuinte a necessidade de criar este novo serviço dado que contraria a lógica subjacente a uma correcta economia de recursos versus potenciação de sinergias. A este respeito seria interessante se a oposição política, com ou sem assento na assembleia municipal, pudesse fiscalizar e quantificar o trabalho desenvolvido por este organismo (CIAC) tutelado pela Câmara, tornando pública sob a forma de relatório as respectivas conclusões. Assim como que uma espécie de comissão criada para o efeito e intitulada “Dá-lhe Gás na Bilha”.
- O segundo aspecto tem a ver com os procedimentos que o munícipe deve acautelar numa situação de renegociação da sua dívida.
Normalmente os juros vencidos, cobrados ao cliente faltoso por parte das instituições de crédito, são a par com o capital em dívida convertidos num valor único sem qualquer destrinça entre o que é referente a capital e o que é referente aos juros inicialmente contratualizados.
Ora, este facto origina a que numa situação de reestruturação de crédito, o novo plano de pagamentos geralmente proposto unilateralmente pela entidade financeira, faça incidir novos juros em cima dos juros que entretanto e habilmente foram convertidos numa única e indivisa dívida.
Este alerta vai pois no sentido de que mesmo que esse novo plano possa aliviar o esforço mensal do devedor, torna-se claro que o benefício da entidade financeira é exponencialmente maior, pois através do recurso a esta prática ilegal, como de resto decorre da lei que proíbe práticas de agiotagem, mas que lamentavelmente beneficia do beneplácito das entidades reguladoras, passa a cobrar descaradamente ao seu cliente juros em cima de juros, contribuindo decisivamente para que este, conforme havia dito anteriormente, acabe mesmo por ficar a breve trecho, mais teso que um arenque fumado.
Seja como for, os interessados em recorrer a este serviço devem contactar através da Linha Verde 800 203 194 ou e-mail ciac@cm-feira.pt para agendamento prévio destas reuniões com técnicos do GAS, que vão decorrer sempre nas últimas segundas-feiras de cada mês. Adivinha-se portanto pouca afluência aos serviços dos técnicos do Gas.

Até Já

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Assembleia Municipal

foto: ...tás certinho !

1 - "Ó meu menino" – disse ela peremptória. "Ou vais à Assembleia de Freguesia nas Caldas, no dia 29, ou vais à Assembleia Municipal no dia 30. Agora escolhe".
Colocada a questão nestes democráticos termos, organizei mentalmente as minhas coisas e lá me decidi por ir assistir à Assembleia Municipal do dia 30 na Biblioteca da Feira.
Com o devido respeito pelos Caldenses, perante as opções, a escolha pareceu-me óbvia. Uma coisa é ouvir uma orquestra a interpretar música de câmara ao vivo e a cores, outra coisa é ouvir alguns acordes roufenhos dessa mesma música, interpretados por alguns músicos cinzentos, quiçá mais habilitados para o manejo da pandeireta e dos ferrinhos do que para dedilhados de harpa.
Por outro lado, é sabido que a apresentação destes Planos Anuais enfermam de uma mesma característica que os tornam particularmente interessantes.Um mesmo denominador comum.
São invariavelmente prometedores e consequentemente risonhos. Não quero com isto dizer que risonho aponte neste contexto para um futuro melhor, socialmente mais justo e financeiramente equilibrado. Não. Risonho no sentido em que faz rir.
Só para terem uma pequena ideia, veja-se por exemplo as verbas inscritas no plano de 2010 para o Zoo de Lourosa. Talvez não saibam mas saíram dos cofres da Câmara, que é como quem diz do bolso dos contribuintes, a módica quantia de 360.000 €. Sim, ouviram bem, 360.000 €.
- E o que é que isto tem de engraçado? Perguntam-me vocês.
Eu explico, mesmo que não perguntem. É que no mesmo período, as verbas transferidas para a Junta de freguesia de Lourosa, ficaram-se por uns modestos 150.000 €. E ninguém grasna ? pergunto eu.
Eu não imagino o que é que aquela bicharada toda come, mas se forem alimentados à base de painço e milho transgénico, convenhamos que 360.000 € é um bocadinho exagerado.
Pronto, está certo que se trata de um equipamento com uma vertente pedagógica importante e que muito dignifica o concelho e réu péu péu pardais ao ninho.
A questão meus amigos, é que visto assim de repente, a cru e sem penas, fica-se com aquela impressão de que não devem ser só os bichos a picar da gamela.
Seja como for, ainda antes do “Casuar” pôr outro ovo, voltarei a falar sobre este tema.
É que por este andar, ou se repensa o modelo de gestão, redefinindo o público alvo e acrescentando por exemplo novas e mais apelativas valências ao espaço, ou então o mais certo, é já na próxima Feira Medieval algumas barracas incluírem na ementa, churrasco de carnes brancas, ou mesmo avestruz suada com molho tártaro servida com batatas a murro e tostinhas de fogaça.
Em todo o caso, o assunto que aqui me traz, é a Assembleia Municipal e por isso vou tentar não me dispersar muito.
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2 - Cheguei cedo à Biblioteca. A assembleia estava aprazada para as 20:30 mas por qualquer lapso na elaboração do programa, onde se lia “período antes da ordem do dia”, deveria ler-se “período antes da ordem da noite” ou melhor, …”da noitinha adentro” que foi quando a assembleia realmente começou.
Permitam-me neste ponto um pequeno aparte.
Eu acho que as Assembleias Municipais, deviam ser programadas como se faz nas salas de cinema, com sessões à tarde e à noite. Os assuntos mais ligeiros ficavam para a sessão da tarde. Outros assuntos de maior melindre político ficavam para a sessão da noite e por fim reservava-se uma última sessão só para tratar de taxas, emolumentos e outras questões que tivessem a ver com o esfolar da carteira do munícipe.
Confesso que gostei do que vi e ouvi. O Telmo do PS esteve bem na interpelação que fez ao executivo, a menina Lùcia da CDU também disse algumas acertadas, aquela senhora do CDS-PP também não destoou, enfim foi um espectáculo de se lhe tirar o chapéu e só não fiquei até ao fim porque, aí por volta da 1:30 da manhã, me começou a pegar o sono. E não deve ter sido só a mim porque um dos oradores, depois de uma eloquente intervenção a dizer à plateia o que faria se fosse governo, deu um valente terno no momento em que ia a descer as escadas do púlpito, perdendo por breves momentos e não necessariamente por esta ordem, o azimute e a compostura política.
O episódio chegou mesmo a suscitar alguma tristeza numa franja do público presente que apesar do avançado da hora já se começava a rever naquele governo que infelizmente ainda antes de o ser já tinha acabado de cair.
Outro dos momentos quentes da noite, foi protagonizado por um senhor de porte atlético mal distribuído, oriundo das fileiras do BE que acusou o seu opositor político de ser racista, por alegadamente descriminar as maiorias das minorias. Convidado a retratar-se pelo ofendido, acabaria mesmo por reafirmar o que antes havia dito tendo-se gerado de imediato um clima de grande tensão que poderia mesmo ter culminado com um eventual soco na virilha por parte do queixoso quando displicentemente o agressor se dirigia para o seu lugar. Apesar de tudo prevaleceu o fair play político e ainda bem que assim foi senão o mais certo era ter de andar a mancar nas próximas manifestações conjuntas dos trabalhadores da Rhode e dos ciganos da Baralha.
Tirando este episódio, esteve tudo muito bem, tudo muito soft, muito autárquico.
Só foi pena ninguém se ter lembrado de por ali uma daquelas barracas concessionadas, a vender bifanas e cerveja nas imediações do cinzeiro que estava mesmo à entrada do recinto, até porque, tendo em conta o número de potenciais clientes, estou certo de que se tinha angariado logo ali alguma coisinha que ajudasse a engrossar as receitas extraordinárias da Câmara. Fica no entanto a sugestão para eventos futuros.
Para terminar, vou destacar o facto pouco relevante do administrador executivo da empresa Municipal Feira Viva andar cá fora no laréu e a dar à letra no exacto momento em que lá dentro se discutiam assuntos relacionados com a empresa municipal que administra. Note-se que não é uma coisa necessariamente má. Afinal de contas é ali, junto àquele cinzeiro, que por entre a névoa da fumaça tóxica se faz verdadeira política. Autárquica.

Até já

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Opinião sobre o "novo" Blog...


Exmos. Senhores,

Acho a ideia absolutamente aceitável. Será quase certo que se irá perder quantidade de "atiradores" de bocas, mas ganhar-se-á em qualidade, de certeza. E, quem sabe, poderá reunir-se um razoável grupo de pessoas que discutam assuntos da freguesia com seriedade. Talvez a cedência da palavra passe para introdução directa possa ser uma liberalização larga em demasia. Os interessados enviariam um e-mail que a Administração publicaria se fosse inteiramente respeitado o normativo.
Fica a ideia.

José Pinto da Silva

quinta-feira, 30 de julho de 2009

A (des)credibilização da política...

A política está em baixa. De facto, nos últimos anos, tem vindo a ser desenvolvida a ideia de que ser político é mau e o que seria necessário era o aparecimento de pessoas técnica, política e socialmente competentes. Diz-se até, por alguns círculos, que a actividade política (partidária) começa a ficar "muito ao nível do assalto à mão armada".

Se, ao nível mais alto da política portuguesa, a tecnocracia está a invadir a área presidencial (veja-se que sendo o Presidente da República um cargo eminentemente político, já se fala que ainda bem que o Presidente percebe de economia), à medida que vamos descendo o patamar dos cargos políticos a coisa vai-se “ajustando”... para pior.

A permanente “disponibilidade dos mesmos… de sempre” continua omnipresente. Ele é uma candidatura a um qualquer lugar de Bruxelas, ele é a candidatura a uma qualquer câmara do país, ele é o “esforço” de fazer o favor de se sentar na Assembleia da República por mais quatro anos. Se não for num, pelo menos que haja a garantia de que se é “encaixado” no outro.

Já ao nível local, a coisa, embora a outro nível, também não deixa de ter o seu “quê” de “interessante”(?).

Se outrora para se ser candidato a uma qualquer câmara municipal ou junta de freguesia, havia que demonstrar, junto da dita sociedade civil, a bondade profissional e social de cada indivíduo, agora, a falta desses predicados não significa o não aparecimento de gente cuja experiência se resume a pouco mais que nada (mas que de tudo julga saber)…

Claro está que alguns dirão “…as portas sempre estiveram abertas… porque só agora… quem pode não se quer aborrecer e expôr… a democracia não escolhe idade, credo, cor, profissão…”, e por aí fora.

Tenho sobre isso, uma opinião clara. Provavelmente haverá que a não compreenda. Mas é a minha opinião. Fazer política é, fundamentalmente pensar. Falar. Quanto mais se está nas hierarquias políticas dos órgãos, menos se deveria ter uma atitude de gestão da carreira e de aparelho partidário, e muito maior deveria ser a atitude política e retórica do indivíduo.

Fazer política é também tomar decisões, mas não deve ser fazer contas. Se calhar, nem sequer é explicar contas. A responsabilidade é outra.

Fazer política é, por isso, saber ouvir, tomar decisões, escolher os melhores intervenientes e saber explicar. Falar. Demonstrar razão. Razão política. Apontar desígnios estratégicos de desenvolvimento.

Mas, nos últimos tempos, anda tudo trocado. Tudo se questiona. Com e sem argumentos (quase sempre).

Aliás, a falta de argumentos, as inverdades, a falta de vergonha e por vezes a calúnia são as características mais visíveis nos meios que se dizem políticos.

Mas continuo a afirmar que não pode valer tudo. As invejas, as “trocas”, o dito pelo não dito, o aproveitamento e apropriamento indevido de algo são coisas muito feias…

É por isso que as pessoas se afastam. É por isso que cada vez mais a abstenção se torna no destino mais provável do voto de muitos portugueses.

Porque muitos dos “políticos” que hoje despontam, não conseguem falar. Porque além de não terem aprendido a ser (bons) políticos, não são sequer bons técnicos.São, entretanto, indivíduos que vamos ter que ir aguentando. Com ou sem razão!


(Post Scriptum: Post não direccionado. Apenas o pensamento de alguém que… anda por aí…)

In www.certasconfidencias.blogspot.com

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Correio de leitores...

Apesar de prolongada ausência, permitam-me tecer neste nobre espaço de tertúlia, algumas considerações avulsas sobre alguns dos mais recentes acontecimentos políticos ocorridos na nossa mui e sempre generosa Vila Termal.

Conhecidos que são os nomes dos protagonistas que representarão em Outubro, as duas habitualmente maiores forças partidárias da freguesia, PS e PSD, e apesar de ainda não conhecermos os elementos que irão integrar cada uma das equipas, (eu não conheço), nem tão pouco os programas que cada uma destas forças irá submeter a sufrágio, parece-me no entanto razoável, diria até saudável, confrontarmos nesta fase o perfil e o percurso político de ambos os candidatos.

Assim, no canto direito do ringue, em representação do “PSD /JÁ”o actual presidente em exercício, José Martins. Político experiente e “JÁ” rotinado na gestão da coisa pública. Este político adoptou como lema neste seu curto mandato o conceito inovador de que “ o que for benéfico pra freguesia….é bom pra freguesia”.

Com uma ascensão quase meteórica, de responsável de condomínio, passando por presidente de uma Associação de Moradores, até presidente de Junta ( …the sky is the limit ) ,exibe com orgulho algumas obras benéficas e admite com menos orgulho, alguma obra (por exclusão de partes)maléfica, nomeadamente os arranjos no cemitério.
Ora, o conceito de “benéfico” é como todos sabemos subjectivo e presta-se muitas vezes a infundadas e maldosas interpretações. Seja como for, e para que fique claro, eu disse “muitas vezes” e não “todas as vezes”, no entanto não disse “poucas vezes” nem disse “nenhumas vezes”. OK, para evitar confusões recorro a uma citação de Siegmund Freud, a este propósito. Segundo ele, “…na maior parte das vezes um pepino, é mesmo um pepino.”
Adiante.
Profissionalmente, este candidato possui ainda “bastos” conhecimentos de pichelaria que tem colocado ao serviço da freguesia sempre que se lhe afigura necessário e de forma totalmente gratuita, como aconteceu ainda recentemente com os novos sanitários públicos. Eis aqui um óptimo exemplo prático, da aplicação do conceito ….benéfico.

Do outro lado do ringue, ou seja do lado do PS, temos a Fátima Oliveira.
Com menos experiência política que o seu principal opositor, é certo, compensa com a força das suas convicções. Aparenta possuir um espírito ganhador e demonstra uma determinação incomum na defesa dos seus ideais.
Tive o privilégio e a honra de ter estado presente, como convidado, na reunião onde o seu nome foi confirmado como cabeça de lista e não cometerei certamente nenhuma inconfidência se disser que houve a esse respeito, consenso absoluto. E já agora, num jeito “en passant” permitam-me acrescentar mais uma pequeníssima nota que me surpreendeu pela positiva.
A presença nessa mesma reunião do candidato PS à Câmara da Feira, Alcides Branco, acompanhado por outros dois elementos que julgo pertencerem ao seu Staff.
E digo pela positiva porque apesar de uma agenda sobrecarregadíssima, como certamente terá, encontrou ainda tempo para emprestar o seu apoio e solidarizar-se com a recèm indigitada Fátima Oliveira, ao contrário de muitos outros socialistas locais que apesar de convocados para a dita reunião preferiram ficar em casa a ver o último episódio da novela “…vai tu melão”.
Mas isto, meus amigos, sou eu a dizer, é claro.
Relativamente à Fátima, que é o que aqui realmente importa tratar, tem vindo a desenvolver um trabalho notável, que se torna mais visível sempre que é chamada a intervir nas Assembleias de Freguesia ( quem habitualmente acompanha estas lides, sabe que falo com conhecimento de causa).
As questões que coloca, são objectivas e pertinentes tendo-se tornado por via disso o principal rosto da oposição ao actual executivo. Sendo uma mulher de fibra, estou certo que apesar de não executar trabalhos de pichelaria, não teria qualquer prurido em tricotar uns “naprõezinhos” em renda de Bilros para pôr no balcão de atendimento ao público da nossa Junta, se isso fosse, claro está, ...benéfico para a freguesia.

Dado que o post já vai longo, despeço-me por hoje com um pequeno excerto do livro –
“Diário de Alcestes” do professor Agostinho da Silva.

“há-de provocar o respeito e dominar as lembranças; teve a coragem de ser cão entre as ovelhas; nunca baliu; e elas um dia hão-de reconhecer que foi ele o mais forte e as soube em qualquer tempo defender dos ataques dos lobos.”


Bem hajam

Bettencourt

quinta-feira, 2 de julho de 2009

“Guerrilha" impede-nos de pôr pés ao caminho...

Enquanto discutimos a dissidência dos ranchos, o concurso da esplanada, as obras do ilha bar ou as "asneiras" do presidente da Junta, alguns dos nossos concidadãos encontram-se em frente ao posto médico a partir das quatro horas da manhã de sexta-feira e não é para jogar cartas, mas, para conseguir uma consulta na semana seguinte se houver médico.

"… Não nos tornamos bons tentando ser bons, mas encontrando a bondade que já existe dentro de nós e deixando-a vir à superfície. Porém, tal só é possível se algo de fundamental mudar no nosso estado de consciência. A História do Comunismo, originalmente inspirado em ideias nobres, ilustra de forma clara o que acontece quando as pessoas tentam mudar a realidade exterior – criar um novo mundo – sem terem promovido anteriormente uma mudança na sua realidade interior, no seu estado de consciência. Fazem planos sem ter em conta a garantia da disfunção que todos os seres humanos carregam consigo: o ego…". Eckhart Tolle em "Um mundo novo" Este pequeno texto retirado do livro mencionado acima –por acaso, estou a lê-lo – serve apenas para reflexão e como chamada de atenção para o enorme ruído que se ouve todos os dias nas Caldas de São Jorge, por causa de inúmeros assuntos mas que não tratam, na essência, da qualidade de vida dos cidadãos desta freguesia. Nos finais da década de 70 – ou início dos anos 80, não posso agora precisar – um grupo de jovens inconformados e irreverentes, que se denominaram "a maralha", despertou na freguesia com um conjunto de iniciativas à volta do lema que consistia em "sacudir o marasmo das Caldas de São Jorge". É curioso verificar que passados cerca de trinta anos, com as devidas diferenças, continua por cá um marasmo com características diferentes mas que nos prende e impede de dar passos em frente no sentido de sermos melhores e, como consequência, tornar a freguesia melhor. Pior que o marasmo é mesmo uma espécie de "guerrilha" instalada em que "combatemos" uns contra os outros, centrando a vida da nossa freguesia em discussões tão interessantes como as dissidências entre ranchos – alguns até com marca registada –, as esplanadas com concursos "duvidosos", a ilha que nunca mais é intervencionada, etc,etc... Enquanto isso, no essencial, que é o cuidado primário para a saúde, perdemos um médico que tem sido substituído por uns poucos, que, ao que parece, todos juntos não fazem o que um faz. O serviço de enfermagem a tempo inteiro no posto médico das Caldas de São Jorge, que tinha sido uma conquista, neste momento – e por excepcional favor – está a meio tempo e não é todos os dias. Se num passado recente houve uma discussão (ou ruído?) no "sítio público" da freguesia à volta do assunto, ao que parece foi inconsequente, pois nada melhorou; pelo contrário, parece que piorou. Aconteceu, porque a "guerrilha" em que estamos mergulhados nos impede de pôr pés ao caminho no sentido de reivindicarmos o restabelecimento de um direito que nos pertence. Trago este assunto porque, por força do meu trabalho numa revista vocacionada para médicos, tem-me sido dada a possibilidade de conhecer alguns projectos que estão a ser realizados em USF (Unidades de Saúde Familiar). Uma delas, a USF Serpa Pinto, no Porto, um grupo de utentes criou uma liga de amigos da USF e com a supervisão de um enfermeiro e devidamente apoiados pelos médicos da instituição prestam serviços de geriatria ao domicílio. Noutra, a USF do Carvalhido, também no Porto, uma enfermeira está a desenvolver um projecto de "Educação para a Saúde" em que semanalmente dedica tempo a ensinar idosos a trabalharem as questões da sua saúde na perspectiva da prevenção. Com certeza, no universo das USF em Portugal muitos outros projectos com dinâmicas semelhantes podem estar a ser desenvolvidos e nós vamos tendo médico e enfermeiro quase por esmola. Enquanto discutimos a dissidência dos ranchos, o concurso da esplanada, as obras do ilha bar ou as "asneiras" do presidente da Junta, alguns dos nossos concidadãos encontram-se em frente ao posto médico a partir das quatro horas da manhã de sexta-feira e não é para jogar cartas, mas, para conseguir uma consulta na semana seguinte se houver médico. Agora que o Calvário vai ser inaugurado, o concurso da esplanada já foi transparente, o ilha bar vai entrar em obras, enquanto as candidaturas não se confirmam, à falta de outro assunto tomemos este em mãos, assumindo-o como nosso, do interesse colectivo, deixando-nos de demagogias reivindiquemos um direito que nos pertence.


Ass.: Manuel Azevedo In Terras da Feira.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

CARTA ABERTA...

Exmo. Senhor Vereador
Dr. Celestino Portela,


Tive oportunidade de assistir a uma parte do debate “Antes da Ordem do Dia” da reunião ordinária da Assembleia Municipal de ontem, dia 19 e estive atento, sobretudo, à resposta dada por V. Exa. à questão levantada a pretexto do que chamarei “incidente” da Esplanada de Verão em Caldas de S. Jorge.
Pela forma como abordou a questão e tentando contar o episódio desde o início, não me ficou dúvida de que, sendo V. Exa. pessoa séria, se estribou em dados informativos mentirosos e que podem ter sido passados a V. Exa. de má fé e para, com o aval oral de V. Exa. fazerem valer uma trapaça.

Corresponde à verdade que a Junta de Freguesia de Caldas de S. Jorge não respondeu afirmativamente à consulta feita pela Câmara a todas as freguesias. Apareceu mais tarde, não ficou especificado em que data, a pedir a instalação da esplanada, o que terá acontecido também com Guizande. No caso de Caldas de S. Jorge, fácil é deduzir, Senhor Vereador, que a Junta não se candidatou inicialmente para que a pessoa que lhe interessava vencesse não ficasse sujeita aos ditames e condições de um concurso (hasta pública) publicitado.

E assim foi porque em 25 de Maio, com autorização saiba-se lá de quem, foi montada a estrutura amovível para a esplanada no mesmo espaço público municipal. Disse V. Exa. que foi montada para ser utilizada pelo Festival do Doce. Claro que foi essa a justificação que lhe foi dada para o abuso, só que é uma redonda mentira. Os promotores expuseram, de resto, um grande placard a anunciar a abertura da Esplanada de Verão para o dia 5 de Junho, data que coincidia com a abertura do Festival Doce e que era precisamente para aproveitar a afluência mais numerosa de gente. Como nesse entrementes foi publicada uma queixa endereçada à Autoridade da Concorrência, foi o placard baixado e, para salvar a face, permitiram que o promotor do Festival Doce (Juventude Inquieta) usasse a estrutura montada para fazer alguma receita extra. Esta a verdade dos factos, que, de resto, o presidente da junta deixou sair em declarações a uma rádio.

A iniciativa de elaboração de um concurso restrito, por convites, foi uma tentativa de circundar uma tentativa falhada, de resto V. Exa. ter-se-á apercebido da manobra ao olhar as pessoas indicadas pela Junta para serem convidadas. Uma o Presidente da Junta disse em sede de Assembleia de Freguesia que nem a conhecia, outra foi um pequeno Construtor Civil (pedreiro) que tinha “ganho?” a execução dos sanitários e o outro foi o dono da estrutura montada. Não achou V. Exa. bizarro não ter sido indicado o nome de nenhum comerciante de Caldas de S. Jorge do ramo restauração/bar/cafetaria?
Saberá V. Exa. que quem ganhou a esplanada de Argoncilhe foi um comerciante de Caldas de S. Jorge, do ramo e que, por maioria de razões concorreria à de Caldas de S. Jorge? Por deficiência de documentos ficou sem atribuir! É claro que não convence ninguém.

Então nem o dono da estrutura, que ganhou no ano transacto (não cumprindo a maioria das disposições do Caderno de Encargos a que se comprometeu, acrescente-se) não apresentava documentação válida? Mostra à evidência que esperava a entrega, então, por ajuste directo para ficar desligado de todas as obrigações e ficar só com o proveito possível. Preço, energia, sanitários, etc. etc.
Na Assembleia de Freguesia entretanto convocada para se discutir esse assunto, o Presidente da Junta, brandiu um papel que disse ser um documento interno da Câmara, que era secreto e que estaria assinado por V. Exa. Que nesse documento, além de outras coisas, teria V. Exa. invocado a figura do “INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL” para fazer aquela cena a que foi chamado concurso. Agora questiono eu. É razoável invocar interesse municipal para abrir um estabelecimento “vende finos” onde quer que seja? A de Guizande também foi por interesse público municipal? Então porque se não invocou a mesma figura para todas as outras freguesias? Ficou provado em sede de Assembleia de Freguesia que, para usar o meigo termo do Presidente da Mesa, houve HABILIDADE. Eu direi, sem medo de desmentido, houve má conduta para atingir determinado fim e o fim era o de se entregar a esplanada sem possível oposição a um apaniguado do Presidente da Junta.

Senhor Vereador: A face de todos só ficará lavada, sobretudo a da Câmara, dona do espaço abusivamente usado desde o dia 25 de Maio, se o processo se reiniciar, sendo levado a facto uma hasta pública, (processo simples) e onde sejam claramente especificadas as condições de exploração.

Ficou demonstrado em todo este processo que toda a gente, e eu também, se não opõe a que seja explorada a esplanada de Verão. Querem, e eu também, que seja entregue a exploração a quem quer que seja, mas por processos limpos e não com favores descarados.

José Marques Pinto da Silva In Correio da feira

A ESPLANADA DAS CALDAS....

A resposta política à prática rasteira a que se tem apegado a Junta de Freguesia de Caldas de S. Jorge, ou como se vai dizendo e se sente, do seu presidente, foi dada de forma estrondosa e demolidora na reunião extraordinária da Assembleia de Freguesia de 9 do corrente, ao ser viabilizada a Moção, de texto contundente, apresentada pelos eleitos do PS. Recebeu a Moção 6 (seis) Votos favoráveis (PS+PSD) e mais uma abstenção de um eleito “Futuro Já”. Parece, ou intui-se, que o PSD não verá com olhos ternos a futura candidatura do actual presidente sob a sigla das “Setas” e parece que começa a resvalar o apoio “Futuro Já”.


Não conta só o Voto de Repúdio e Censura, com aprovação de mais de dois terços, à actuação da Junta e do seu presidente na tentativa de, sem consulta a ninguém e sem ter poder para tal, ter dado instruções e a implícita autorização a um particular para iniciar a montagem de uma estrutura amovível em espaço público municipal. Claro que esse particular não arriscaria a montagem se lhe não tivesse sido dada a “garantia” de que lhe caberia explorar a esplanada de Verão. Esplanada a que esta Junta não manifestou interesse ao ser consultada pela Câmara, como fizeram outras quatro Juntas do Concelho. É intuitivo que assim procedeu, porque se respondesse afirmativamente, ficaria desde logo sujeita às condições insertas no EDITAL publicado pela Câmara e colado no “site” oficial. Alheou-se exactamente para, subrepticiamente, entregar a exploração a um amigo que já fizera a exploração em 2008 e também debaixo de grossa polémica.


Declarou o presidente da Junta diversas vezes que tinha na mão documentos para exibir e que provariam que “tudo estava na legalidade”, apesar de, mesmo antes da Assembleia, ter mandado descer um enorme placard a anunciar a abertura dessa esplanada para o dia 5 de Junho. No decurso da Assembleia e questionado para mostrar tais provas concludentes, brandiu um papel que disse ser um documento interno da Câmara, por isso secreto e não mostrável a ninguém, nem aos jornalistas, e lendo, ou simulando ler, disse que nesse documento, se anunciava um concurso de “ajuste directo” que estaria em curso, que foram convidadas três entidades a darem propostas e que o Vereador do Pelouro declarara este caso de “Interesse Público Municipal” para assim se ter agido.


Claro que é pantominice, porque, e o Senhor Vereador saberia, e não se meteria nisso, espera-se, que o interesse municipal nunca seria beliscado se, porventura, a esplanada fosse explorada por outro que não o que estava predestinado a ser apadrinhado. Pela Junta sabia-se. Não se imaginava que pudesse estar pela Câmara ou por um Vereador. Claro que a generalidade das pessoas não acreditou no que diria o papel brandido, porque se fosse como disse o presidente, ele mostrá-lo-ia ou até daria fotocópias. Porquê o segredo?


Fortemente questionado pela Assembleia (eleitos e público) deixou cair que, dos três convidados, um só lhe ouvira o nome e não sabia quem era, outro era o dono da estrutura montada e o prévio ganhador e outro era o Construtor Civil (pedreiro) a quem, por esquema ainda não esclarecido, tinha sido entregue a construção dos sanitários. Perguntado o critério da escolha, empurrou para a Câmara e que a Junta nada tinha a ver com o caso. Esqueceram-se de convidar um só comerciante de S. Jorge de entre vários que há da área da restauração/bar/cafetaria. Poderiam ter convidado também o farmacêutico! Informou mais que o preço base seria de € 600,00 e não especificou mais nenhuma condição do concurso. Claro que, mesmo tratando-se de, se legal, concurso restrito, teria que ser publicitado, pelo menos por edital camarário e, foi garantido em plena Assembleia que não fora afixado qualquer aviso. A propósito, diga-se que a Esplanada de Argoncilhe teve como preço base € 1 000,00. E foi ganha por um comerciante de S. Jorge.

+
Brincou-se aos concursos e receia-se que alguém com responsabilidade na Câmara tenha dado cobertura a semelhante intrujice.


Esta Assembleia trouxe à pele uma inversão do posicionamento tradicional do órgão, onde o executivo via normalmente os seus pontos de vista fazerem valimento. É que se achou esquisito o aparecimento da esplanada sem concurso, disse o Presidente da Mesa que reforçou dizendo que se visse que havia habilidade seria contra. Foi bem mais do que habilidade. Foi rasteira e, ao que se receia, com um erguer errado de bandeirola por banda de quem exerce, no caso, função de quase juiz.


Os factos ficaram sobejamente demonstrados pela intervenção produzida e pelos termos da Moção e as questões postas ao presidente pelos eleitos e pelo público tiveram como resposta o silêncio gaguejado do costume.


Não se saberá o desfecho deste caso. As declarações do Vereador à imprensa são preocupantemente dúbias. Foi apresentada queixa à Autoridade da Concorrência e muitas autoridades tomaram ciência deste desmando. Ficará, pelo menos, a condenação política bem explícita, mesmo que, por métodos vergonhosos os dinheiros entrem em bolsos indevidos.

José Pinto da Silva In Terras da Feira

domingo, 31 de maio de 2009

In Certas Confidências...



Os recentes episódios de violência ocorridos no Bairro da Bela Vista, levaram a que, um pouco por todo o país, se produzissem considerações sobre a falência do modelo urbanístico dos “bairros sociais”. Nesse sentido, é interessante reflectir sobre a ideia de uma hipotética (co)relação entre urbanismo e criminalidade que, recorrentemente, é trazida a debate por alguns sectores da opinião e da comunicação social.
Não nego que o ambiente construído, pode ter influência em certos tipos de comportamento social, especialmente nos grandes centros urbanos, onde a “impessoalidade” é factor dominante.
Por outro lado, quando se fala em falência do modelo urbanístico enquanto influenciador de fenómenos de criminalidade, de insegurança, de exclusão ou de segregação social, está a induzir-se que existirá um outro modelo alternativo e esplendido que os poderá combater e eliminar.
No fundo, trata-se de reforçar a ideia de que o Urbanismo é o fiel representante da filosofia do Estado e das Autarquias sobre as acções na área social.No entanto, o que está em causa são questões de outra natureza. O que está em causa nestes fenómenos de criminalidade e de segregação social são conceitos de fundo, de natureza ideológica, que surgem desde há muitas décadas no “nosso” modelo político e que ninguém tem a ousadia de questionar. De facto, a verdade é que o Urbanismo, enquanto modelo urbano ou espaço físico de uma cidade, não funciona sem as verdadeiras realidades socio-económicas que o envolvem. Temo até que não exista “modelo” que resista gravitando em torno da falta de emprego, da pouca educação social, da debilidade económica, da desagregação do suporte familiar, do desinteresse escolar, da fraca cultura de cidadania e da deficiente vida em comunidade.
No fundo, e por muito bom que seja, não é o Urbanismo, enquanto modelo físico da cidade, que pode resolver os problemas da sociedade, principalmente os problemas relacionados com a pobreza de espírito e com a pobreza imaterial.Infelizmente (embora com muitas críticas - que as há!!!), o que faliu, não foi o tal modelo urbanístico enquanto espaço físico. O que parece ter falido é o modelo social e a permanente desresponsabilização dos que se dizem necessitados e desprotegidos. O que parece estar a falir é uma certa apetência para se condescender com a cultura de violência e de criminalidade que parece fazer parte do “código genético” de alguns grupos de “jovens” ou de gang’s.
O que irá falir é a insistência em sermos complacentes com certos indivíduos que lideram grupos étnicos que só aceitam receber “certos direitos” e não querem saber dos seus “deveres”.
O que decididamente faliu, foi este nosso “nacional porreirismo” que continua a promover aqueles que se julgam mais “espertos” do que os outros...Por isso, temos hoje pela frente, um trabalho titânico a fazer, no sentido de promover uma verdadeira cultura comunitária, uma cultura sociologicamente saudável. Principalmente nos meios mais difíceis.
Esse trabalho, deverá necessariamente, envolver as entidades públicas, os membros mais influentes dessas comunidades (responsabilizando-os), famílias, escola, acção social e polícia de proximidade.É um trabalho longo. Infindável.Seria importante, portanto, iniciá-lo...
- É assim que se constrói a “Cidade”!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

$$$ DESPLANTE $$$

O “desplante” chegou esta semana, sorrateirinho, à nossa terra.

De forma desavergonhada, a Junta de Freguesia de Caldas de S. Jorge e a Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, preparam-se para (eventualmente) dar cobertura à ocupação de um espaço que é público (que é de todos) através da instalação das famosas esplanadas de Verão.
Sem qualquer aviso. Sem qualquer concurso público.

Alerto desde já os leitores e os eventuais ofendidos para não virem para aqui com a história de que sou sempre do contra, que não quero o bem da freguesia. Não vale a pena virem fazer-se de vítimas.

Isto é uma ILEGALIDADE.
Este caso, é de fazer qualquer pessoa séria ir-à-lua-e-vir-no-mesmo-dia.

Que se saiba, o assunto foi decidido no maior secretismo. Nem a Assembleia de Freguesia foi ouvida.
Os comerciantes da terra, mais uma vez foram esquecidos. Os comerciantes que pagam os seus impostos, as suas taxas, as suas contribuições para terem a chamada “porta-aberta”.

Qualquer cidadão de bem, deve sentir-se ultrajado.
Este caso, representa o verdadeiro “Chico-Espertismo”.

Espero que os Partidos com assento na Assembleia de Freguesia façam o que está ao seu alcance e parem, de imediato, com este abuso de poder. Nem que seja com uma providência cautelar.

A incompetência paga-se caro.
Aquele espaço é de todos. Nós queremos passear junto ao rio.

A nossa terra não está a saque.
Metam isso na cabeça, de uma vez por todas.

Guga.Gago

Nota: peço desculpa se fui violento na linguagem, mas não consegui ficar indiferente.

sábado, 25 de abril de 2009

Sexta-feira!

Sexta-feira! Estava a ver que nunca mais chegava este bendito dia!

Nada como uma boa sexta-feira à noite, sentadinho no sofá em frente do nosso “Plasma” ou “LCD” e quem tiver, pode e deve ligar também o poderoso sistema de surround, colocamos o ambiente com pouca luminosidade…20 horas…. hora do Telejornal na TVI…. “Boa noite, eu sou a Manuela Moura Guedes”… Porreiro pá!!

Por falar nisso, vamos já para o terceiro episódio da que por agora é uma espécie de trilogia “boa noite eu sou a MMG”! Obra assinada pelo nosso estimado Caldinhas. Será impressão minha ou neste intervalo de episódios em que ele “enfiou” no seu blog ,“Certas Confidências”, uma carrada de musica para …. Dar-nos música?!

Vamos então ao terceiro episódio:

“Boa noite. Eu sou MMG – Parte III”

Na sequência da entrevista de José Sócrates à RTP1, transmitida na passada Terça-Feira, a jornalista Manuela Moura Guedes anunciou que irá processar o Primeiro-Ministro por difamação.

Nessa entrevista, Sócrates referiu-se ao telejornal das 20h de Sexta-Feira na TVI, apresentado por MMG como sendo “travestido” e feito “de ódio e perseguição”. “Aquilo não é um telejornal, é uma caça ao homem”, afirmou Sócrates.

Para a jornalista, estas frases demonstram "que a pessoa que exerce o cargo de primeiro-ministro lida muito mal com a liberdade de informação".

Ainda nessa sequência, pelos vistos, o director da TVI e marido da jornalista (coincidência), José Eduardo Moniz, também irá processar o Primeiro-Ministro.

Dizem os senhores da (des)informação que, sobre o caso Freeport, “a TVI só relatou factos e não inventou imagens, sons ou afirmações, que o país tem assistido com espanto".

Ora muito bem...

Lembram-se do que aqui eu escrevi há uns dias?

Nem mais... Sócrates não disse nada que eu (e muitos portugueses) já não tenhamos pensado.

Não é o caso Freeport que a mim, particularmente, me incomoda. O que me incomoda é o histerismo irritante da senhora MMG e o facto do referido telejornal ser quase exclusivamente dedicado ao Primeiro-Ministro (que por acaso é o Sócrates). De jornalismo aquilo não tem nada. Aliás, o tom depreciativo e brejeiro leva-me a pensar que existirá um indisfarçável ódio de estimação que a MMG nutre pelo Primeiro-ministro.

Que a Justiça funcione é o que todos necessitamos. Que a justiça seja feita pelos tribunais é o que desejamos.

Por isso, na ausência de provas claras e documentadas, que ninguém seja levianamente julgado à Sexta-Feira à noite, num qualquer televisor perto de si.

(Nota: Se, como diz MMG, o Primeiro-Ministro lida mal com a liberdade de expressão, já a referida jornalista parece lidar mal com a liberdade de opinião...)

In http://kouzaselouzas.blogspot.com/

terça-feira, 14 de abril de 2009

Anónimo Versus Administrador do C.S.J. Blog.

Anónimo

Caro Senhor administrador,

A forma como dá a conhecer esta notícia, faz-me crer que não gosta nada da actual junta de freguesía."Junta de Freguesía coloca Saúde da População em Perigo" ?????
Como??
Será que a transformação do espaço que ali se fez foi mal feito? ficou mal? envergonha a freguesía?
Não será esta uma situação possivel de acontecer, por vários motivos? (até pela morte de algum animal que ali tenha caído)Não compreendo a sua indignação, até porque o senhor teve conhecimento desta notícia porque a junta de freguesía no comprimento do seu dever,(e bem) colocou um aviso a dar a conhecer a situação actual em que se encontra aquela àgua.
Não compreendo..Depois queixam-se de que a Junta de Freguesía não colabora com o Blog, que existe défice de democracia, liberdade amordaçada...??
Pois pudéra,.. com amigos destes quem precisará de inimigos?!
E aínda por cima o Sr. fala de "Ataque à segurança da população" ??? publicando a foto do aviso prevenindo a população..., não faz sentido.
Se isto não é perseguição, por favor dêm-me a conhecer sinónimos para esta palavra.


Administrador do C.S.J. Blog

Caríssimo Leitor anónimo(a)

Deixe-me responder às suas pertinentes questões e duvidas levantadas…
No que diz respeito à forma como eu coloquei a questão, "dar-lhe a impressão que eu não gosto nada da Junta de Freguesia", devo dizer que não gosto, nem desgosto, é a Junta que a freguesia tem, eleita democraticamente, que eu tenho que respeitar. No entanto as regras mais elementares da democracia, dizem que eu posso ou não estar de acordo com as “soluções” pela autarquia tomadas, como tal diz a mesma democracia, que devo ser livre de aceitar ou discordar, com a mesmíssima liberdade. Julgo que neste ponto estamos esclarecidos.
O porquê do título ser usado em ponto de exclamação, e não de interrogação, como o(a) Sr. (a) escreveu, á frente explicarei (*). No que diz respeito se a obra ficou mal ou bem, posso dizer que ficou diferente. Quanto envergonhar alguém, só acho que a única entidade que (poderá) sentir vergonha é quem ordenou para fazer a obra, pois está a sua credibilidade em risco.

Na parte de isto poder acontecer, como se uma anormalidade se tratasse, agora sim vou-lhe responder ao (*).
O Sr. (a) deve ser alguém que demonstra estar pouco a par desta situação. Eu até compreendo, pois sei que a politica nesta terra bateu tão baixo, que o desinteresse é tanto, mesmo pelo que diz respeito a todos nós, como é o caso desta fonte. Como o Sr. (a) já demonstrou não ter conhecimento, é que este caso de água contaminada neste chafariz, não é uma excepção!
É regra.
É verdade.
Surpreendido?
Não esteja. Excepção é aquele fontanário dar água própria para consumo. Essa é que é a realidade. Agora quando diz que foi um bom investimento? É caso para perguntar se não será óptimo utilizar as estações elevatórias do saneamento para banhos de espuma???!!! É como digo, são opções.
Agora gostava de salientar, se a junta tem por hábito colocar as análises da água no sitio oficial, o porquê de não ter colocado estas???
Acha que um aviso colocado sobre um tijolo é segurança suficiente para a população?
Não acha, que qualquer pessoa mal intencionada retira o papel, colocando quem desconhece em perigo?
Se É POSSÍVEL o corte da água do chafariz porque não foi feito? Agora explique.

Sabe a razão da Junta não colaborar com o Blog? A resposta é simples. O Blog é incomodativo, divulga o que ninguém no poder gosta de ver publicitado, e enquanto não houver sensibilidade política, e uma maior abertura intelectual, jamais será compatível o Blog com a autarquia.

Quanto ao suposto défice democrático e liberdade amordaçada, terá que pedir explicações ao titular da frase, pois eu sinto-me à vontade para tomar liberdade das minhas decisões.

Respeitante à amizade que existe entre o Administrador do Blog e a Autarquia, não queria traduzir o significado desta palavra, mas posso reduzir a outra CUMPLICIDADE, Será que era justo para a população eu ser cúmplice da autarquia? Quem denunciava os casos? Então aí sim começava a existir uma liberdade condicionada. O que o Blog pediu foi colaboração, não amizade, pois sabemos que na política, o que é verdade hoje amanhã é mentira…

Fala da frase "Ataque à segurança da população", acho que já respondi no (*).

Agora responda se isto é perseguição? ou constatação de factos! sabe é que os meus filhos também bebem água.
Para terminar vou falar em “PERSEGUIÇÃO”, ou melhor em “PERSEGUIR” que significa, “procurar prejudicar sempre que possível” e essa palavra não encaixa aqui.

Disse…

"Cromos" repetidos...

Aos poucos, começam a surgir os nomes que integrarão as candidaturas à eleição para o parlamento europeu.

Sem entrar em considerações sobre qualquer um dos cabeça-de-lista já conhecidos (Vital Moreira pelo PS, Ilda Figueiredo pela CDU, Miguel Portas pelo BE e Nuno Melo pelo CDS – o do PSD ainda não é conhecido) quero no entanto, referir, que começo a não ter poder de encaixe para a forma como, na generalidade, os partidos políticos tratam estas temáticas.

De facto, não entendo como é possível, a apresentação de nomes que, com se sabe, também serão candidatos à liderança de importantes municípios do país.

É como se houvesse a imperiosa necessidade de “garantir”, nem que seja em Bruxelas, um qualquer “palco” político para o “amigo ou amiga”.

Claro está que já nos vamos habituando ao pára-quedismo de alguns que, certamente, nas próximas legislativas e autárquicas, farão desse “desporto” uma arte.

Mas, para quem tanto apregoa a limitação de mandatos e a paridade na constituição de listas, esta insistência nas “repetições” dos nomes é, no mínimo, muito estranha.

Para uma classe (dos políticos) cada vez mais descredibilizada, esta forma que os partidos encontram para “alinhar” sempre os mesmos é, diria até, inconcebível.

Post Scriptum: toda a gente sabe que a Elisa Ferreira faz mais falta ao Porto... e outros(as) que tais.

In http://certasconfidencias.blogspot.com/

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Correio de leitores...

Carissimos,

…sobre o recente workshop.
Apesar de ter procurado informação relacionada com o Evento, não sei ainda muito bem se se tratou de um mero exercício académico patrocinado pela Câmara ou se, por outro lado, se tratou de uma iniciativa concertada com outras entidades (convidadas ou não ) com o propósito claro de identificar e agir em função das singularidades que caracterizam o espaço urbano de Caldas de S. Jorge.
Considerando que a primeira das opções é a certa, estranho não haver nenhuma referência à possível construção de um “funicular” com plataforma de ligação inter modal ao teleférico. Assim como também estranho não haver nenhuma referência à possível navegabilidade do rio Uima pelo menos entre Pigeiros e Fiâes onde o fluxo de pessoas e o tráfego de mercadorias é mais intenso. Deixo no entanto aqui e desta forma o meu modesto contributo para posterior reflexão.
Ah, e uma marina também.

Se por outro lado considerarmos a segunda das opções, então estaremos de acordo ao afirmarmos que para se criar as condições adequadas ao desenvolvimento das funções urbanas e dos locais onde estas ocorrem, presume-se um efectivo conhecimento dos múltiplos aspectos que se interligam e interagem num dado momento da vida de uma qualquer comunidade minimamente consolidada como é o caso da nossa freguesia.
Diríamos pois, e de forma muito genérica que cabe ao Urbanista ( dentro da sua esfera de competências ) e partindo de uma ampla e complexa teia de relações que sustenta e alimenta a comunidade, promover e definir os respectivos “planos” que depois de devidamente discutidos e operacionalizados, melhor se adequarão a uma estratégia de desenvolvimento integrado capaz de saber ela própria (a estratégia) expandir-se harmoniosamente, e prevendo-se também no decurso desse processo dinâmico de implementação, saber dar respostas capazes e em tempo útil a todo um conjunto de necessidades antecipadas.
E este é de facto um dos pontos que me importa salientar.
As estratégias de desenvolvimento (quando as há ) devem saber refletir com precisão o sentir e o pulsar da comunidade nas suas múltiplas vertentes. O Urbanista, que como vimos anteriormente, não só interpreta as normas regulamentares que são emanadas pelos organismos que o tutelam, como também intervém de forma decisiva no ordenamento do próprio território. Deve por isso assumir neste contexto um papel de relativo distanciamento e constituir-se unicamente como uma ferramenta preciosa a partir da qual os principais agentes que intervém na comunidade erguem os seus próprios programas, sejam eles políticos, empresariais, associativos e porque não dizê-lo também, religiosos.
Nesse sentido, a afirmação e consolidação de uma “marca” não pode depender unicamente de uma espécie de paternalismo bem intencionado que é discutido e se promove unicamente em alguns círculos restritos.
Seja como for e independentemente de este ter sido ou não um exercício académico, a iniciativa do workshop deve ser, por si só, alvo dos mais rasgados elogios, e o nosso estimado Arq. Pedro Nuno apesar de, por razões que só a ele dizem respeito não querer assumir em absoluto a paternidade do Evento, está conjuntamente com os restantes intervenientes, de parabéns.
Post Scriptum:
È conhecido por todos (?) a minha vontade de colaborar na “criação” da tal marca “Caldas de S. Jorge”, o meu maior receio é que 20 anos seja tempo demais.

….ou como diria Lavoisier se fosse vivo e tivesse Alzheimer :
….“ nesta terra nada se perde, nada se cria...

Atenciosamente
Bettencourt

sábado, 4 de abril de 2009

"Apontamentos" sobre o WORKSHOP de planeamento urbanístico


“Um olhar para o futuro – Caldas de S. Jorge”
Caldas de S. Jorge, de 30 de Março a 2 de Abril
Apresentação das conclusões: 2 Abril
Participação:
- Instituto Superior Técnico de Lisboa
- Universidade de Mimar Sinan e das Belas Artes de Istambul
- Câmara Municipal de Santa Maria da Feira (Divisão de Planeamento)
Átrium das Termas de S. Jorge, 21 horas do dia 2 de Abril.
Noite fria (como quase todas as noites desta terra com um específico microclima).
A sala cheia… de gente… de calor humano.
Também é destes encontros, de extrema importância para nós, profissionais ligados ao planeamento urbano e à arquitectura, que podem resultar novos desafios e novos pontos de vista.
Através destas iniciativas podemos partilhar experiências, filosofias, métodos de abordagem em relação aos trabalhos que nos surgem diariamente.
Por vezes, é fundamental que cada um de nós possa parar, para eventualmente repensar formas ou estratégias de abordagem à problemática do espaço urbano.
È importante poder reflectir em conjunto com pessoas de outras paragens, que nos trazem diferenciadas experiências de abordagem à construção do espaço público.
Como venho defendendo há muito tempo, as cidades, nascem, crescem, declinam e morrem quando lhes faltam os recursos que as mantêm vivas e, acima de tudo, quando não possuem um projecto de vida próprio.
E é esse projecto de vida das nossas vilas e cidades que importa, debater, no sentido de se encontrarem melhores soluções para a definição de uma filosofia de desenvolvimento e para o reforço da identidade do nosso território.
É evidente que já tínhamos, e temos algumas ideias para Caldas de S. Jorge, como temos para outros locais do concelho.
Defendo no entanto, que o processo de planeamento deve ser participado. Por isso se realizou esta iniciativa, por isso se convocou a população a estar presente.
Como dizia o meu amigo Costa Lobo, não há que ter receio em obter outros pontos de partida. Acrescentaria eu que não há que ter receio em elevar e democratizar a discussão em torno destas problemáticas do planeamento, do ambiente, da ecologia, do turismo, da coexistência da indústria no espaço urbano. É disso que se trata quando se realizam estas iniciativas.
Queremos criar uma identidade de Caldas de S. Jorge ainda mais forte. Os projectos e os sonhos deverão ser, a breve prazo, transformados em realidade. Falo, obviamente, da definição de um programa operacional em torno da actividade Termal e Turística na área central da vila, da criação de um Parque Verde Urbano, da qualificação do espaço público, da requalificação da “Casa da Pines” enquanto “pousada de charme” e que possa catapultar a criação de condições reais para a instalação do hotel desejado, e da construção de um pequeno auditório associado a uma “casa/museu do brinquedo”...
Mas, para que isso seja possível, é preciso gerar-se discussões, debates, criar consensos e desígnios comuns. É preciso, acima de tudo, respeitar as pessoas.
É irreversível esta necessidade de qualificar o espaço. Esse é, do meu ponto de vista, o grande desafio para Santa Maria da Feira nos próximos tempos.
Nos últimos anos, temos assistido à renovação de alguns equipamentos que, sem dúvida alguma, se traduzem num pilar fundamental para a crescente importância que Caldas de S. Jorge pode assumir.
Exemplo disso, foram as obras de reformulação e ampliação do edifício das Termas, todas as obras de requalificação da sua área envolvente, a definição de um projecto de renovação do espaço “Ilha”, a reabilitação da Igreja Matriz, etc. Podemos ainda referir a potencial e eminente aprovação do novo centro de dia/noite no âmbito dos incentivos criados pelo governo central ou ainda o “irreversível” percurso pedonal que surgirá ao longo do Uíma.
Mas também jamais poderemos esquecer um dos maiores patrimónios que esta terra possui: a actividade industrial e económica ligada aos artigos de puericultura. Não se pode evocar esta terra sem se falar da indústria de puericultura.
Portanto, no caso específico de Caldas de S. Jorge, creio existirem, condições para que, a prazo, se possa vir a transformar num “território modelo” no âmbito da região em que se insere. Que se possa reforçar a lógica de um local aprazível, um espaço de bem estar, um espaço de eco-turismo, um espaço paisagem, um espaço de vanguarda.
Como já dizia Ebenezer Howard em 1898, o pioneiro moderno da descentralização da cidade industrial, com a invenção da cidade-jardim, o pensamento sobre as vilas e cidades assenta em 3 princípios fundamentais:
- A terra devia pertencer à comunidade;
- Todas as pessoas deviam estar envolvidas no planeamento;
- Devia haver harmonia entre o espaço construído e o ambiente natural.
É desta simbiose que se “constrói” o território.

terça-feira, 31 de março de 2009

Duzentos mil, claro, ou menos...

O Dr. Strecht que alguém imaginou que iria sair com tiradas bombásticas do género "estou aqui porque me apetece”, esvaziou o balão ao dizer que estava ali para discutir política e que poderia estar com gente do CDS se fosse convidado.

Em 12 de Março à noite e já no 13 de manhã, todos os dirigentes da CGTP, eufóricos como só eles, diziam a todos os órgãos de comunicação que esperavam uma grande manifestação e apontavam para a presença de 100.000 pessoas. Correram algumas horas e soube-se que a polícia não faria o apuramento seguindo os seus métodos, sempre considerados fidedignos, ou se apurassem não seria para divulgar. Face à certeza de não contradita passou todo o mundo a altifalar que estariam presentes 200.000 pessoas. Em filas transversais de 24 pessoas (iriam muito apertadas na Av da Liberdade) e separadas 80 cm de fila a fila, 200.000 pessoas daria uma massa homogénea e compacta de cerca de 6,7 quilómetros. Seria algo como desde Albergaria até à zona industrial de Espargo. Cortem lá um bom pedaço à truta, senão digo que pesquei um lampião aceso. É mais fácil eu ir buscar um luzeiro aceso ao fundo do mar do que estarem lá as 200 000. Não é precisa muita memória para se imaginar que este ano, com crise ou com abundância, com aumentos de salários, pensões e benefícios, ou com congelamento de tudo isso ou mesmo redução, as manifestações, as greves, os passeios contestatários, da Função Pública (sobretudo), desde professores a enfermeiros, polícias a militares, técnicos do Estado a serviços da saúde, se repetiriam a pretexto e a propósito de qualquer espirro. Ano de todas as eleições. Parece que até a metereologia vai dar uma mão colaborante à onda de contestação ao Governo. Chegou a destempo a onda de calor a dar folgança aos costumeiros pirómanos e incendiários. Normalmente inimputáveis. E é bem por isso (não os fogos, claro) que mais se faz sentir a ligação umbilical entre quem dá a cara pela organização da(s) manifestação(ões) e os partidos de que são correia. Seria curioso poder-se saber, por exemplo, os movimentos de fluxos financeiros entre centrais sindicais e partidos de retaguarda, sobretudo a quando destas agitações. Quem aluga os autocarros e quem paga os alugueres e toda a logística? Serão os sindicatos que têm cada vez menos associados? Claro que não. São os partidos, estúpida e injustamente subsidiados pelo Estado. Às vezes fazem comparações de gastos e pergunta-se a quantas pessoas se poderia melhorar as pensões com este e com aquele dinheiro gasto nisto ou naquilo. E com o que se gasta em manifestações? Ao menos dinamiza o negócio dos transportes, dirão alguns. E quanto à ligação sindicatos/partidos foi lindo de ver as direcções dos partidos radicais terem sido apanhadas no redemoinho e lá foram parar na frente do desfile. E foi por mero acaso que fizeram declarações para as TVs. O Sr. Jerónimo de Sousa, saudoso que claramente é dos tempos da clandestinidade, onde se sente bem quem tem da democracia uma visão sovietista, disse até que a linguagem de Sócrates seria a do fascismo. Lembro-me que disseram o mesmo do discurso de Mário Soares, de Zenha e até de Alegre ou Piteira Santos. Olhou-se o Sr. Jerónimo ao espelho e falou para o reflexo e dele recebeu a mensagem do social fascismo que ambos viveram e praticaram na plenitude. Foram é travados em bom tempo. A gente lembra-se de 1975.
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O Sr. Francisco Louçã veio à Feira. Veio na ressaca da apresentação da candidatura de Teixeira Lopes a vereador no Porto. O Dr. Strecht que alguém imaginou que iria sair com tiradas bombásticas do género "estou aqui porque me apetece”, esvaziou o balão ao dizer que estava ali para discutir política e que poderia estar com gente do CDS se fosse convidado. Intervenção curta e centrada só na política de saúde, não deixando de ser crítico para algumas facetas da política seguida pelo poder. Tinha sido de mais impacto a declaração feita a um jornal diário e a propósito da política local. Falou depois o Sr. Louçã. Vinha, claro, de mangual empunhado para malhar forte e feio na eirada do costume. E, no concelho, o cereal a debulhar com a malhadela teria que ser Américo Amorim e o seu (na voz trotsquista) reaccionarismo, a sua insensibilidade, a sua malvadez ao ponto de, tendo ganho, em 2008, 6,3 milhões de euros, mesmo assim despediu 190 pessoas. Foi aqui que vi a falta de ética, a desonestidade intelectual e política, direi mesmo iniquidade do Sr. Louçã, características nele já conhecidas há muito, mas que as pessoas se inibem de denunciar. Porquê, não sei. O Sr. Louçã porque é político e anda na dirigência política e porque é economista sabia e sabe, e só o seu fanatismo o leva a esconder, que sendo verdade que a empresa de Américo Amorim contabilizou lucros no exercício de 2008, não é menos verdade que na exploração do último trimestre do mesmo ano perdeu quase metade (4,6 milhões) do que tinha ganho nos três trimestres anteriores. Tinha, portanto, entrado na rampa que levaria ao abismo e algo teria que ser feito para alterar o desnivelamento da rampa. O Sr. Louçã sabia e sabe que, se nada fosse feito, poderia acontecer que em 2009, ao invés dos 190, tivessem que ser despedidas muitas centenas de empregados. Brincou ainda o Sr. Louçã com o facto de ter a Administração decidido não dispensar mais do que uma pessoa do mesmo agregado. Brincou com isso porque é, de facto, insensível. Toda a gente, mesmo os trabalhadores, acharam a medida muito positiva e solidária. E, ao que se diz, Américo Amorim mandou pagar todos os direitos aos despedidos. O mal do Sr. Louçã é que, por interesse meramente político/partidário, para arrebanhar mais meia dúzia de votos, debita o seu ódio figadal ao lucro, às empresas, à gestão de meios e, com o mesmo fito, cavalga qualquer onda de descontentamento que exista e se manifeste aqui e além e, sempre que se manifesta lá estará o Sr. Louçã na crista da onda. Onde seja visto. Disse bem António Costa que ele "parasita a desgraça alheia" e, digo eu, incute a ideia de que é possível colher papaias nas silvas, em vez de amoras silvestres.
Ass.: José Pinto da Silva (In Terras da Feira Online)

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Onde está a nossa autarquia???

Estas três fotos reportam-se à Rua da Colina e Rua Joaquim Francisco dos Santos.Há cerca de dois anos que tento chamar a atenção das autoridades competentes para este estado de coisas, sem qualquer resultado.

Junto envio as imagens que falam por si.


Com os melhores cumprimentos,
Hermínio Mota


quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Junta de Freguesia abate árvores no Jardim Dr. Carlos...

A Junta de Freguesia procedeu ao abate de algumas árvores no Jardim Dr. Carlos, com o objectivo de construir umas novas casas de banho naquele local.

Ao que o Blog sabe um dos apoiantes inequívoco do Futuro Já, e da propaganda eleitoral deste partido, apresentou queixa à GNR, pela alegada ilegalidade do acto.

Sabe-se que grande parte dos moradores do lugar da Sé, estão contrários à construção destas casas de banho, mesmo na frente das Termas. Ao que se apurou está em estudo a transferência do quiosque dos Jornais para o mesmo local. Já se fala no lugar da Sé num abaixo-assinado contra esta obra, que no entender da população circundante é tão necessária como o campo relvado.

Será que numa altura em que se fala em homenagear o falecido Dr. Carlos, a Junta lembra-se de destruir um legado deixado por esta figura impar da história da freguesia.
Uma coisa esta autarquia vai ficar na história da freguesia, como sendo a Junta que mais árvores abateu durante um mandato, mesmo que ainda vá no primeiro ano.

É bom relembrar que as “famosas” podas super visionadas por técnicos especialistas, na “rua da Bébécar”, fez com que secassem pelo menos três árvores, à que pedir responsabilidades e a substituição das mesmas.

Opinião do Zouvineiro...

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Saudações Natalícias ,

... As múltiplas acções de intervenção social que se fazem sentir em uníssono um pouco por todo o país, fazem desta quadra, um período particularmente fértil na consolidação de valores tão básicos como os da solidariedade social e da família. Por essa razão, e não pretendendo destoar muito, deste espírito, aproveito para endereçar votos de um Bom Natal e um Feliz Ano Novo a todos os Caldenses que de uma forma abnegada e altruísta, lá vão ajudando conforme sabem e podem, a proteger e a manter este vasto património cultural que compõe e integra a nossa selectiva “memória colectiva”.Para todos eles, o desejo sincero de um Santo Natal e um excelente 2009.
FOTO : …. “ zeladora ” do Lavadouro da Sé.


... È minha convicção sincera de que a grande maioria das famílias que residem no “Bairro Social” são pessoas de bem, e não ajuda nada à sua plena integração no tecido social da freguesia o estigmatizar sistemático a que tem estado sujeitos, sobretudo nestes últimos tempos.
Compete à autarquia promover mecanismos de regulação e de regulamentação por forma a que seja possível a todo o momento poder separar o “trigo do joio” com as naturais consequências que daí possam advir quer para o trigo, quer para o joio. Assim, faz sentido patrocina, entre outras iniciativas, a criação de uma associação de moradores com responsabilidades acrescidas e contextualizadas,que funcione em articulação directa com a autarquia e as/os assistentes sociais. Mas isto claro está, sou eu a dizer. Para eles, sem excepção, os meus votos de um bom e santo natal.
FOTO: … Inquérito aos moradores sobre as condições de higiene e salubridade do Bairro


…A reestruturação levada a cabo pelo governo no sector da saúde segue uma lógica economicista que visa em ultima análise a maximização dos meios e a minimização dos custos. Parece-me ser uma medida de gestão correcta, no entanto esta política origina obrigatoriamente uma perda da qualidade de vida das populações sendo por isso “Vox populi” que mais cedo ou mais tarde o posto de Saúde das Caldas vai acabar por fechar. Talvez faça algum sentido criar as condições para, por antecipação, ser elaborado um documento de compromisso entre a autarquia e a Direcção Regional de Saúde (depois de auscultadas todas as partes envolvidas) onde constem quais os critérios necessários à manutenção/reestruturação do actual posto.
Até lá, desejo a todos os profissionais de Saúde que diariamente nos servem, um bom Natal e um bom ano novo.
FOTO : ….Accção de rastreio com tecnologia de ponta.


Todas as associações da freguesia independentemente do objectivo que perseguem congregam um elevado número de elementos, e onde a disponibilidade e a carolice dos seus dirigentes devem ser devidamente enaltecidos. As recentes polémicas a que temos assistido espelham acima de tudo a maior ou menor capacidade de liderança dos dirigentes sempre que estas ocorrem no seu seio. Quando essas polémicas extravasam o restrito âmbito da colectividade e entram em rota de colisão com outras colectividades, continua a ser um problema de liderança. Sobretudo de quem tem o poder e a capacidade de apaziguar ânimos e gerar consensos. Que o próximo ano possa ser fértil em acontecimentos que dignifiquem e promovam Caldas de S. Jorge. Para todas as associações, endereço os meus votos de um bom natal e um próspero ano novo.
FOTO : concorrentes a descansar após um exaustivo torneio de sueca

…Para os meus amigos bloguistas desejo que o Pai Natal vos presenteie com gigas e gigas de moderação e sensatez, e muitos chip’s de clarividência no intuito de que os vossos comentários futuros possam constituir um factor de ponderação na forma como os nossos governantes conduzem os destinos da terra.
Tal como eu, já devem ter experimentado aquela sensação esquisita de que o mundo está possuído por uma espécie de dislexia intelectual. Amiudadas vezes encontramos manifestações dessa dislexia nos conteúdos de alguns comentários anónimos que por aqui vão surgindo. Seja como for, iremos sempre tropeçar em alguém predisposto a justificar o que é notoriamente injustificável.
FOTO : …. Congresso da Juventude Ariana e sessão de autógrafos do livro “Mein kampf”


... Estive presente na última Assembleia de Freguesia. Posso agora dizer do alto da minha honestidade intelectual que políticos invisíveis com programas transparentes fazem coisas nunca vistas. Erradique-se pois, como foi anteriormente sugerido, o Iluminismo bacoco.
É sabido, meus caros, que a política é a segunda profissão mais antiga do mundo, não divergindo muito, dos fundamentos da primeira. No entanto, e quem por lá anda, deverá ter sempre presente que muitas vezes o que é verdadeiramente triste, não é o ter que mudar de ideias. Triste, é não ter ideias para poder mudar.
À classe política desejo um óptimo Natal, e um ano Novo não muito próspero para que não caiam na tentação de poder vir a exibir sinais exteriores de riqueza.

FOTO : …Capa do Livro “ Fàbulas políticas das Caldas ”


Nem sempre compreendida nas suas motivações, a Igreja tem vindo a assumir um papel de importância vital, no actual contexto sócio – económico que o país atravessa.
A paróquia de Caldas de S. Jorge, é um exemplo claro da capacidade interventiva da Igreja nestes domínios.
Liderada pelo nosso amigo e polémico Padre Machado, intervém em assuntos tão díspares, que passam, não só pelo apoio espiritual ao rebanho que apascenta, como também pela forma como interpreta as reais necessidades da nossa terra, veja-se a título de exemplo o episódio “ Brisa “.
Os meus votos são de que no próximo ano possamos assistir ao início das obras de construção do Centro de Dia com o apoio de toda a freguesia.
FOTO : Missionário afastando o “Belzebu” do seu rebanho


São muitos os indicadores da crise que grassa por este país fora. A chamada, pobreza encoberta, atinge níveis cada vez mais preocupantes.
Aproveitemos pois este período para reflectir no rumo que tem vindo a ser seguido, È que, meus caros, alguns políticos são como fraldas. Tem que ser mudados constantemente e quase sempre pelos mesmos motivos.

Em meu nome e em nome da Marlene, desejo a todos vós um Bom Natal e um Ano de 2009 repleto de sucessos.

FOTO : ….BELZEBU


Marlenefpaiva
Bettencourt