O Reverendo P. Domingos José da Silva
É natural de Cucujães, Oliveira de Azeméis.
Nascido a 24 de Novembro1929
e Ordenado Presbítero a 06de Agosto de 1944.
Exerceu actividades pastorais:
Coadjutor de Valbom, Gondomar.
Pároco de Teixeira e Teixeiró, Baião,
Pároco de Real, Castelo de Paiva
Paroquiou em Guinarei e Carreira, Santo Tirso.
Paroquiou em S.Jorge de 1978 -1983.
Esteve cinco anos à Frente da Paróquia
desta Vila Termal de Caldas de São Jorge.
Capelão da Igreja da Trindade, Porto.
Ultimamente se encontrava no
Lar de Idosos das Irmãzinhas dos Pobres
R. do Pinheiro Manso, PORTO.
O seu Funeral realizou-se na manhã de Sábado,
dia 16 de Outubroàs 11.00 horas,
na Capela do Lar de Idosos das Irmãzinhas dos Pobres.
Presidiu o Senhor Bispo D. António Taipa
seguindo depois para a Vila de Cucujães
para jazigo da familia.
Com 81 anos de idade
Ee 66 anos de sacerdote ao serviço da Diocese do Porto.
R. do Pinheiro Manso,
Às 11.00 horas.
A paróquia de Caldas de são Jorge,
a todos os pretextos
e sentidos, muito lhe deve.
Paz à sua Alma
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
sábado, 9 de outubro de 2010
Vale a pena ouvir esta intervenção do eurodeputado Cohn-Bendit.
O que deveria ser o papel de todos os eurodeputados, defender os interesses dos países que os elegeram, fazer ver aos gigantes das economias europeias, que esta Europa dos grandes e dos pequeninos não serve os interesses do sonho europeu, de criar uma Europa unida e justa, não podemos querer que os nossos parceiros façam aquilo que nós próprios não conseguimos fazer.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Pensamento de Dalai Lama...
Perguntaram ao Dalai Lama
“O que mais te surpreende na Humanidade?”
E ele respondeu:
“Os homens...Porque perdem a saúde para juntar dinheiro,
depois perdem dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro,
Esquecem-se do presente de tal forma que acabam
por não viver nem o presente nem o futuro.
E vivem como se nunca fossem morrer…
…e morrem como se nunca tivessem vivido.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Quer vivamos quer morramos pertencemos ao Senhor!!!
“Nós sabemos que passamos da morte para a vida
porque amamos os nossos irmãos” (1 João 3,14)
Reverendo Manuel Va1ente de Pinho Leão
nasceu em Milheirós de Polares (Santa Maria da Feira) a 25 de Agosto de 1920.
Após frequentar os Seminários do Porto é ordenado padre em 8 de Agosto de 1943 junto do tio padre José Leite Dias de Pinho, em Oliveira do Douro,
inicia o serviço pastoral.
Vila Nova de Caia seria o lugar permanente da sua dedicação ao ensino,
como professor desde a ordenação e Director (1946-1992) do Colégio de Gala,
obra diocesana que ampliou com equipamentos condignos
e ilustrou com o seu saber,
particularmente em Inglês e Literatura portuguesa.
O campo da educação constituiu a sua paixão até ao fim da vida,
seja na criação da Escola Profissional de Gaia,
seja do Instituto Superior Politécnico, em 1990.
Impulsionou obras sociais, sendo representante da Diocese
na "Obra do Padre Luís” (desde 1982)
e deu novo vigor à Confraria do Monte da Virgem,
dados os seus dotes de excelente gestor.
Essa qualidade justificou a escolha como membro do Conselho de Assuntos Económicos Diocesano, entre 1986 e 1991.
Publicou, nos últimos anos, vários livros resultantes
de uma investigação sobre fontes de Arquivo,
sobre história da arte.
No Colégio do Sardão, onde viveu, como capelão,
era muito procurado como conselheiro.
Criou a Fundação Manuel Leão (1996),
à qual legou os seus bens,
com finalidades culturais
(sobretudo de teor pedagógico e artístico)
e assistenciais.
Viajante pelas quatro partes do mundo,
partiu para a última viagem a 24 de Setembro de 2010.
porque amamos os nossos irmãos” (1 João 3,14)
Reverendo Manuel Va1ente de Pinho Leão
nasceu em Milheirós de Polares (Santa Maria da Feira) a 25 de Agosto de 1920.
Após frequentar os Seminários do Porto é ordenado padre em 8 de Agosto de 1943 junto do tio padre José Leite Dias de Pinho, em Oliveira do Douro,
inicia o serviço pastoral.
Vila Nova de Caia seria o lugar permanente da sua dedicação ao ensino,
como professor desde a ordenação e Director (1946-1992) do Colégio de Gala,
obra diocesana que ampliou com equipamentos condignos
e ilustrou com o seu saber,
particularmente em Inglês e Literatura portuguesa.
O campo da educação constituiu a sua paixão até ao fim da vida,
seja na criação da Escola Profissional de Gaia,
seja do Instituto Superior Politécnico, em 1990.
Impulsionou obras sociais, sendo representante da Diocese
na "Obra do Padre Luís” (desde 1982)
e deu novo vigor à Confraria do Monte da Virgem,
dados os seus dotes de excelente gestor.
Essa qualidade justificou a escolha como membro do Conselho de Assuntos Económicos Diocesano, entre 1986 e 1991.
Publicou, nos últimos anos, vários livros resultantes
de uma investigação sobre fontes de Arquivo,
sobre história da arte.
No Colégio do Sardão, onde viveu, como capelão,
era muito procurado como conselheiro.
Criou a Fundação Manuel Leão (1996),
à qual legou os seus bens,
com finalidades culturais
(sobretudo de teor pedagógico e artístico)
e assistenciais.
Viajante pelas quatro partes do mundo,
partiu para a última viagem a 24 de Setembro de 2010.
sábado, 2 de outubro de 2010
Centenário da República e Cemitérios
Centenário da República e Cemitérios
Começo por lembrar que este ano comemora-se o primeiro centenário da República em Portugal, implantada a 5 de Outubro de 1910. Já apareceram publicados estudos da autoria de professores universitários sobre o assunto, além doutros artigos publicados em jornais nomeadamente no “Jornal de Notícias do Porto”. Foi uma época turbulenta, muito mais do que a recente Revolução de 25 de Abril. Basta ver o que a Professora da Universidade de Coimbra, Dra. Maria Lúcia de Brito Moura, documentou no livro intitulado “A guerra religiosa na Primeira República”, publicado em Lisboa em 2004. A autora, com base nos dados fornecidos pelos jornais locais e regionais das cidades, vilas e aldeias, dá-nos uma ideia ao vivo dos desacatos e outros excessos cometidos nesse tempo. Não é para admirar muito este fenómeno, pois muitos desses adeptos, pela falta de cultura e civismo, muitas das vezes não fazem que desacreditar um movimento. Hoje, a 100 anos de distância podemos observar melhor, com mais serenidade, e comparar mais perfeitamente as diversas tendências então em causa. Como acaba de publicar António Teixeira Fernandes,a Revolução Republicana tinha sido precedida de várias décadas antes por outra algo parecida, a Revolução Liberal. (...)
Para compreendermos melhor e sermos mais justos na apreciação do passado vou referir dois aspectos que mostram sempre a fraqueza humana nos diversos acontecimentos. O primeiro aspecto é o seguinte. Já lá vão perto de 50 anos que li num pequeno livro o seguinte; o ideal era as coisas da vida irem por evolução e não por revolução. Por “evolução” quer dizer “devagar e bem” como também diz o povo. Ora quando assim não acontece e é tantas vezes, seja por inércia, rotina ou falta de vontade de aperfeiçoamento, então a situação agrava-se e rebenta a revolução que, pretendendo atingir certos ideais em parte ou totalmente justificáveis, acarreta juntamente outros males.
O segundo aspecto é este e, praticamente em tudo, se não houver uma prevenção à partida. Há anos li a seguinte afirmação do experimentado Karl Jaherg, professor universitário suíço, e publicado em 1960 numa revista da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra: “a unilateralidade é a consequência necessária de uma ideia científica que é aprofundada até ao fim”. (...) Passemos agora ao caso concreto de Pigeiros, o centenário da inauguração do cemitério e posto a funcionar desde 1910, em plena República. A Lei de 21-9-1835, feita pela Revolução Liberal, já tinha proibido os enterramentos dentro das igrejas, mandando fazer cemitérios e, enquanto estes não estivessem feitos, deixava que se enterrasse no adro. Algumas freguesias como Romariz etc. já o tinham feito antes da época da República, mas em Pigeiros foi já no princípio da República. E claro que a Lei de 1835 criou descontentamento por ir contra o costume tradicional de há tanto ano e originou a chamada guerra da Maria da Fonte de Póvoa de Lanhoso no Minho que tomou outros contornos políticos, originando a guerra da Patoleia.
Quatro anos depois da tal lei proibitiva, a Junta Geral do distrito de Bragança dizia a 27- 7-1839 que a falta de cemitérios se devia a dois obstáculos :“o primeiro é a crença da maior parte dos habitantes das aldeias que o lugar das sepulturas na igreja facilita melhor entrada da alma no Reino do Céu” e que “a construção dos cemitérios é um acto de impiedade” e o segundo obstáculo é a “falta de meios financeiros”.
Ora no desejo popular há uma parte de razão e outra parte sem ela. Que no Além, na eternidade, estejamos desprotegidos onde não temos poderes nossos, compreende-se o desejo de proximidade dos poderes sobrenaturais em relação a nós (daí os funerais religiosos, os sufrágios, etc.), mas esta proximidade não tem que ser física (ficar encostado fisicamente até aos altares do santos), basta que esteja na intenção mesmo estando fisicamente a quilómetros, basta a proximidade moral ou espiritual baseada no pensamento e no amor (isto é a alma). Ora esta deficiência de cultura no povo da época acarretou estes problemas. Conto mais outro caso parecido de tempos antigos. Em muitos lados fazia-se uma procissão às capelas de Santos, chamada procissão de clamor, porque se ia a berrar alto, a clamar para o santo ouvir, com os ouvidos do corpo (Deus sabe-o e nem tem corpo e o corpo dos santos ainda está nos cemitérios pois ainda não houve Ressurreição). Como sempre, coisas mal entendidas criam problemas.
Ainda vamos ver mais; mesmo no tempo em que se enterrava dentro das igrejas,nem toda a gente era lá enterrada. Eu sabia pelo que lia que na capela-mor era sepultado o Abade e o fidalgo da freguesia e o resto do povo era no corpo da igreja do arco do cruzeiro para baixo. Mas, ao ler o livro da história da freguesia galega de Curtis e Fisteus na província de Pontevedra, fiquei admirado ao sabeadmirado ao saber o seguinte: os ricos eram sepultados à beira dos altares e os pobres mais abaixo até à porta principal e os que não eram da freguesia (pobres de pedir, estrangeiros, idos de passagem) eram fora da igreja no adro, porque não eram da freguesia, isto é, não eram fregueses. Só os da associação chamada freguesia é que tinham esse direito. Juridicamente, em termos de lei e organização compreende-se este rigor, mas como já dizia o bispo pensador D. António Ferreira Comes acima da lei há o ambiente mais largo da moral e da espiritualidade a ter em conta, pois, lá por não ser freguês, ainda é criatura de Deus ou ainda conforme os casos, filho de Deus pelo baptismo. Mais uma vez se vê o mau resultado da falta de cultura religiosa profunda. (...) Num livro recente, publicado pelo jornal Público, comparava-se a disposição das sepulturas na igreja à que as pessoas têm na missa: à frente os mais importantes e atrás as pessoas tidas de pouco valor. Isto visto pelos olhos do corpo (sentido da vista) até pode parecer bem mas, se usarmos a inteligência da alma, é errado, que o padre como delegado de Deus deva estar perto de Deus no Santíssimo Sacramento do Altar, compreende-se, mas bem sabemos que nem todos os ricos estão à beira dos altares, tantos há no centro da igreja e até à porta do fundo. Até um “leigo” cá em baixo pode ser para Deus mais santo do que o padre lá em cima.
Quando contava o caso da freguesia galega de Curtis Fisteus ao Dr. David Simões Rodrigues, disse-me ele: “também aqui perto, em Rio Meão, eu fiz os livros da história da freguesia, também não deixaram um pobre ser enterrado dentro da igreja”. Fui ler o livro e lá vinha: tratava-se dum pobre mendigo de setenta e pouco anos, chamado Francisco de Almeida, que devia ser dos lados de Ovar e falecera a 19 de Abril de 1811, antes de da lei 1835.
Mas, curiosamente sabe-se que as autoridades religiosas já aconselhavam o enterramento fora das igrejas já antes de 1835, como se lê num documento de 27 de Agosto de 1794 no livro história de Sandim: “O pároco deve instruir os ignorantes que não querem serem enterrados no Adro, por entender que isso é para os pobres (mendigos). O visitador, entende que as igrejas devem ser restituídas à sua pureza original e mais ninguém lá deverá ser enterrado, como já acontece nos países civilizados”. Como se vê, não souberam evoluir e depois rebentou a lei de 1835. Em Pigeiros, em 7-8-1853 (já depois de 1853) um mendigo sepultado como os outros (no adro) aparece assim descrito curiosamente pelo Abade Osório: “era de Matosinhos e andava fugido a mulher, gastando-lhe tudo quanto tinha.”
Intervenção do Padre Domingos A. Moreira no Centenário do Cemitério de Pigeiros.
(Publicado com autorização do Autor)
Começo por lembrar que este ano comemora-se o primeiro centenário da República em Portugal, implantada a 5 de Outubro de 1910. Já apareceram publicados estudos da autoria de professores universitários sobre o assunto, além doutros artigos publicados em jornais nomeadamente no “Jornal de Notícias do Porto”. Foi uma época turbulenta, muito mais do que a recente Revolução de 25 de Abril. Basta ver o que a Professora da Universidade de Coimbra, Dra. Maria Lúcia de Brito Moura, documentou no livro intitulado “A guerra religiosa na Primeira República”, publicado em Lisboa em 2004. A autora, com base nos dados fornecidos pelos jornais locais e regionais das cidades, vilas e aldeias, dá-nos uma ideia ao vivo dos desacatos e outros excessos cometidos nesse tempo. Não é para admirar muito este fenómeno, pois muitos desses adeptos, pela falta de cultura e civismo, muitas das vezes não fazem que desacreditar um movimento. Hoje, a 100 anos de distância podemos observar melhor, com mais serenidade, e comparar mais perfeitamente as diversas tendências então em causa. Como acaba de publicar António Teixeira Fernandes,a Revolução Republicana tinha sido precedida de várias décadas antes por outra algo parecida, a Revolução Liberal. (...)
Para compreendermos melhor e sermos mais justos na apreciação do passado vou referir dois aspectos que mostram sempre a fraqueza humana nos diversos acontecimentos. O primeiro aspecto é o seguinte. Já lá vão perto de 50 anos que li num pequeno livro o seguinte; o ideal era as coisas da vida irem por evolução e não por revolução. Por “evolução” quer dizer “devagar e bem” como também diz o povo. Ora quando assim não acontece e é tantas vezes, seja por inércia, rotina ou falta de vontade de aperfeiçoamento, então a situação agrava-se e rebenta a revolução que, pretendendo atingir certos ideais em parte ou totalmente justificáveis, acarreta juntamente outros males.
O segundo aspecto é este e, praticamente em tudo, se não houver uma prevenção à partida. Há anos li a seguinte afirmação do experimentado Karl Jaherg, professor universitário suíço, e publicado em 1960 numa revista da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra: “a unilateralidade é a consequência necessária de uma ideia científica que é aprofundada até ao fim”. (...) Passemos agora ao caso concreto de Pigeiros, o centenário da inauguração do cemitério e posto a funcionar desde 1910, em plena República. A Lei de 21-9-1835, feita pela Revolução Liberal, já tinha proibido os enterramentos dentro das igrejas, mandando fazer cemitérios e, enquanto estes não estivessem feitos, deixava que se enterrasse no adro. Algumas freguesias como Romariz etc. já o tinham feito antes da época da República, mas em Pigeiros foi já no princípio da República. E claro que a Lei de 1835 criou descontentamento por ir contra o costume tradicional de há tanto ano e originou a chamada guerra da Maria da Fonte de Póvoa de Lanhoso no Minho que tomou outros contornos políticos, originando a guerra da Patoleia.
Quatro anos depois da tal lei proibitiva, a Junta Geral do distrito de Bragança dizia a 27- 7-1839 que a falta de cemitérios se devia a dois obstáculos :“o primeiro é a crença da maior parte dos habitantes das aldeias que o lugar das sepulturas na igreja facilita melhor entrada da alma no Reino do Céu” e que “a construção dos cemitérios é um acto de impiedade” e o segundo obstáculo é a “falta de meios financeiros”.
Ora no desejo popular há uma parte de razão e outra parte sem ela. Que no Além, na eternidade, estejamos desprotegidos onde não temos poderes nossos, compreende-se o desejo de proximidade dos poderes sobrenaturais em relação a nós (daí os funerais religiosos, os sufrágios, etc.), mas esta proximidade não tem que ser física (ficar encostado fisicamente até aos altares do santos), basta que esteja na intenção mesmo estando fisicamente a quilómetros, basta a proximidade moral ou espiritual baseada no pensamento e no amor (isto é a alma). Ora esta deficiência de cultura no povo da época acarretou estes problemas. Conto mais outro caso parecido de tempos antigos. Em muitos lados fazia-se uma procissão às capelas de Santos, chamada procissão de clamor, porque se ia a berrar alto, a clamar para o santo ouvir, com os ouvidos do corpo (Deus sabe-o e nem tem corpo e o corpo dos santos ainda está nos cemitérios pois ainda não houve Ressurreição). Como sempre, coisas mal entendidas criam problemas.
Ainda vamos ver mais; mesmo no tempo em que se enterrava dentro das igrejas,nem toda a gente era lá enterrada. Eu sabia pelo que lia que na capela-mor era sepultado o Abade e o fidalgo da freguesia e o resto do povo era no corpo da igreja do arco do cruzeiro para baixo. Mas, ao ler o livro da história da freguesia galega de Curtis e Fisteus na província de Pontevedra, fiquei admirado ao sabeadmirado ao saber o seguinte: os ricos eram sepultados à beira dos altares e os pobres mais abaixo até à porta principal e os que não eram da freguesia (pobres de pedir, estrangeiros, idos de passagem) eram fora da igreja no adro, porque não eram da freguesia, isto é, não eram fregueses. Só os da associação chamada freguesia é que tinham esse direito. Juridicamente, em termos de lei e organização compreende-se este rigor, mas como já dizia o bispo pensador D. António Ferreira Comes acima da lei há o ambiente mais largo da moral e da espiritualidade a ter em conta, pois, lá por não ser freguês, ainda é criatura de Deus ou ainda conforme os casos, filho de Deus pelo baptismo. Mais uma vez se vê o mau resultado da falta de cultura religiosa profunda. (...) Num livro recente, publicado pelo jornal Público, comparava-se a disposição das sepulturas na igreja à que as pessoas têm na missa: à frente os mais importantes e atrás as pessoas tidas de pouco valor. Isto visto pelos olhos do corpo (sentido da vista) até pode parecer bem mas, se usarmos a inteligência da alma, é errado, que o padre como delegado de Deus deva estar perto de Deus no Santíssimo Sacramento do Altar, compreende-se, mas bem sabemos que nem todos os ricos estão à beira dos altares, tantos há no centro da igreja e até à porta do fundo. Até um “leigo” cá em baixo pode ser para Deus mais santo do que o padre lá em cima.
Quando contava o caso da freguesia galega de Curtis Fisteus ao Dr. David Simões Rodrigues, disse-me ele: “também aqui perto, em Rio Meão, eu fiz os livros da história da freguesia, também não deixaram um pobre ser enterrado dentro da igreja”. Fui ler o livro e lá vinha: tratava-se dum pobre mendigo de setenta e pouco anos, chamado Francisco de Almeida, que devia ser dos lados de Ovar e falecera a 19 de Abril de 1811, antes de da lei 1835.
Mas, curiosamente sabe-se que as autoridades religiosas já aconselhavam o enterramento fora das igrejas já antes de 1835, como se lê num documento de 27 de Agosto de 1794 no livro história de Sandim: “O pároco deve instruir os ignorantes que não querem serem enterrados no Adro, por entender que isso é para os pobres (mendigos). O visitador, entende que as igrejas devem ser restituídas à sua pureza original e mais ninguém lá deverá ser enterrado, como já acontece nos países civilizados”. Como se vê, não souberam evoluir e depois rebentou a lei de 1835. Em Pigeiros, em 7-8-1853 (já depois de 1853) um mendigo sepultado como os outros (no adro) aparece assim descrito curiosamente pelo Abade Osório: “era de Matosinhos e andava fugido a mulher, gastando-lhe tudo quanto tinha.”
Intervenção do Padre Domingos A. Moreira no Centenário do Cemitério de Pigeiros.
(Publicado com autorização do Autor)
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Dia 25 de Setembro … dia de Um Santo muito Especial !!!
Dia 25 de Setembro … dia de Um Santo muito Especial !!!
Sáo Hermano, entrevado. Monge (1013-1054) 41 anos!
Hermano Contractus ou Entrevado nasceu em 1013;
e morreu em Reicheneau (Baden) em 1054.
Filho dum conde von Alshausen, passou toda a existência, primeiro como aluno e depois como monge, na abadia de Reichenau.
Tendo sofrido um «traumatismo obstétrico»,
foi preciso transportá-lo ao colo toda a vida como uma criança;
apenas chegava a mexer um pouco a língua e as mãos.
Apesar desta má sorte, possuía todos os dons.
Foi o maior sábio do seu tempo;
chamavam-lhe «a Maravilha do século».
Matemático e astrónomo de génio,
foi além disso bom historiador,
compositor de talento e poeta inspirado.
A Ave Maris Stella e outras belas sequências são dele;
muitos atribuem-lhe também a Alma Redemptorìs
e a Salve Regina.
Inventou um astrolábio, uma máquina de calcular
e novos instrumentos de música.
Viu entrarem na sua cela dois admiradores distintos: o Irnperador Henrique III
e o papa Leão IX, que se meteram a caminho para o ficarem a conhecer.
Todavia, achava que Deus tinha usado tanta ciência e imaginação
ao fazer as criaturas,
que se considerava a si mesmo como o último dos ignorantes;
escreveu no princípio duma obra sobre o Astrolábio:
“Fui eu, Hermano, que fiz este livro,
eu, o rebotalho dos pobres de Cristo,
que anda a reboque dos aprendizes filosóficos,
sábado, 18 de setembro de 2010
Visita oficial do Papa Bento XVI ao Reino Unido a Convite da Rainha Isabel II
Bento XVI apelou à união de todos os cristãos, num encontro com o líder da Igreja Anglicana. Bento XVI é o primeiro Papa a ser recebido no Palácio de Lambeth, a residência do arcebispo de Cantuária, Rowan Williams.
O líder dos anglicanos declarou que ainda é cedo para restaurar a união, perdida desde os tempos de Henrique VIII, há quase 500 anos.
“Talvez não consigamos ultrapassar rapidamente os obstáculos para restaurar a união, mas não há obstáculos na nossa busca espiritual, na obediência ao Senhor, e encontraremos mais formas de nos construirmos na santidade”, declarou o arcebispo de Cantuária.
O diálogo religioso já tinha sido o grande tema do encontro com 200 líderes das principais religiões presentes no Reino Unido.
A reunião aconteceu de manhã, na universidade de St Marys, em Twickenham, no sudoeste de Londres. Um local onde se juntaram também quatro mil alunos e professores de todas as escolas católicas do país.
Mas a visita de Bento XVI, a convite da rainha Isabel II, está a ser acompanhada por uma forte contestação. No exterior da Universidade de St Marys, dezenas de pessoas protestaram contra várias o Vaticano e relembraram o escândalo de pedofilia que está a manchar a Igreja Católica.
(Cá está outra vez o tema da Pedofilia. Parece que a crítica da Comunicação social não tem outro assunto. Foi em Portugal, foi em Chipre, é agora no Reino Unido!
O Papa já pediu perdão pelas faltas dos outros. Os faltosos são excomungados, castigados e entregues às autoridades civis… que mais querem?
Só se for para os comer e guisar com batatas!
Porque não começar pelos da Casa Pia e outros que não se sabem que o são porque há cumplicidade sulapada. Desde que a Casa Pia foi fundada por Pina Manique sempre lá se rezou, praticou a caridade, a amizade e solidariedade!!!
Rei Henrique VIII fez cisma, separação de Roma por causa do Papa na altura o não deixado divorciar-se do Matrimónio. Por se proclamou separado de Roma e declarou-se autoridade máxima do Anglicanismo, seguido pelos seus sucessores.
Houve perseguições aos Católico Romanos como João Fisher, Thomas Morus e tentos outros mártires e muitos Católicos tiveram de fugiar para a Irlanda, América e Colónias Inglesas!
São João Fisher nasceu em Beverley, na cidade de Yorkshire, na Inglaterra, no ano de 1469. Órfão de pai ainda pequeno, aos quatorze anos era o mais destacado estudante do Colégio São Miguel. Quando completou vinte anos, era professor daquele colégio. Em seguida, ingressou na famosa Universidade de Cambridge. Dois anos depois, recebeu o diploma de doutor com louvor, foi ordenado sacerdote e nomeado vice-reitor da referida universidade.
Quando a rainha Margareth, viúva pela terceira vez, decidiu deixar a corte e ingressar num mosteiro, foi ele que escolheu para ser seu director espiritual. Distribuiu sua fortuna entre várias instituições, destinando grande parte à Universidade de Cambridge. Na mesma ocasião, São João Fisher era eleito chanceler da universidade, cargo que manteve até morrer.
Aos trinta e cinco anos, foi eleito bispo de Rochester, dedicando-se muito à função. Distribuía esmolas com generosidade e as portas de sua casa estavam sempre abertas para os visitantes, peregrinos e necessitados. Mesmo sendo bispo e chanceler da universidade, levava uma vida tão austera como a de um monge.
Apesar de todo o seu trabalho, estudava muito e escrevia livros. Seus discursos fúnebres, da morte do rei Henrique VII e da própria rainha Margareth, tornaram-se obras famosas. Quando Martinho Lutero começou a difundir sua Reforma, o bispo Fisher combateu os erros da nova doutrina, escrevendo quatro livros, que o tornaram famoso em todo o mundo cristão.
Em 1535, o rei Henrique VIII desejou divorciar-se de sua legítima esposa para casar-se com a cortesã Ana Bolena. O bispo João Fisher foi o primeiro a posicionar-se contra aquele escândalo, embora muitos outros ilustres personagens da corte declarassem, apenas para agradar o rei, que o divórcio poderia ser feito. Ele não; mesmo sabendo que seria condenado à morte, declarava a todos que:
- "O matrimônio católico é indissolúvel e o divórcio não será possível para um matrimônio católico que não se tenha anulado".
Entretanto o ardiloso rei Henrique VIII conseguiu que o Parlamento inglês o declarasse chefe supremo da Igreja na Inglaterra, em substituição ao papa da Igreja Católica, com a aprovação de todos os que desejavam conservar seus altos postos no governo. Porém João Fisher declarou no Parlamento que:
- "Querer substituir o Papa de Roma pelo rei da Inglaterra, como chefe de nossa religião, é como gritar um 'morra' à Igreja Católica", e isto seria um erro absurdo.
Os inimigos o ameaçavam, com atentados e calúnias. Como não conseguiram que o bispo deixasse de declarar sua fé católica, foi preso na Torre de Londres. Tinha sessenta e seis anos, porém os muitos anos de penitências, seus alunos, e o excessivo trabalho pastoral faziam-no aparentar oitenta. Ainda estava preso quando foi nomeado cardeal pelo Papa Paulo III. Ao ser informado da nomeação cardinalícia, o rei Henrique VIII sem qualquer piedade, exclamou: - "Enviaram-lhe o chapéu de cardeal, porém não poderá colocá-lo, porque eu lhe mandarei cortar a cabeça". E assim o fez. A sentença de morte foi comunicada a João Fisher, que foi executado no dia 22 de junho se 1535. Antes de ser decapitado, ele declarou à multidão presente que:
- "Morro por defender a Santa Igreja Católica, fundada por Jesus Cristo, e o Sumo Pontífice de Roma". Em seguida, os carrascos cumpriram a sentença.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
S. Miguel do Mato 15.00 horas do Dia 12 de Setembro de 2010
S. Miguel do Mato 15.00 horas do Dia 12 de Setembro de 2010
São Miguel do Mato, Vigararia de Arouca e Vale de Cambra.
Novo Pároco e Coadjutor tomam posse da paroquialidade e cuidado pastoral desta Paróquia singular e característica da referida Vigararia .
São os sacerdotes Agostinho Watela e Arnaldo Farinha que entram oficialmente ao Serviço desta Paróquia.
Rodeada de largas e extensas áreas de matas e pinheirais, o título é-lhe perfeitamente adequado.
Lá está o Arcanjo São Miguel Guardião e Patrono da Igreja Matriz e as suas gentes que lhe conferem um ar de animação e entusiasmo típico de um povo bom, trabalhador e sadia Fé Cristã.
Com a Presidência e Apresentação Oficial do Jovem Vigário de Arouca P. Paulo Teixeira a Celebração teve o seu inicio pelas 15.00 horas em cenário animado, alegre num contexto de fé e simpatia deste Pároco com seis paróquias espalhadas pelas encruzilhadas das Serras de Arouca onde as quatro rodas se agarram nas curvas na ânsia de chegar a horas aos serviços
ou qual anjo alado equilibrado sobre as duas rodas apressadamente correndo por onde o veículo das quatro não cabe e as veredas o podem deixar entalado.
Sente-se no ambiente da Celebração Festiva o fruto pastoral de um trabalho personalizado dos Párocos anteriores, Padre Benjamim e particularmente o Reverendo Padre Manuel Santos Silva que esteve uma boa dose de anos à frente dos destinos da Paróquia.
O que se sentiu e viveu na Celebração, reflectido nos rostos das crianças, adolescentes, jovens, mais crescidos e de gente de mais idade. Foi bonito de se
ver e de se sentir.
De referir a extensão da freguesia, a quantidade de lugares de culto espalhados por tão ampla zona.
Os tempos vão mudando e não há lugar para desanimar e baixar os braços. Novos dinamismos afloram nas Comunidades: Os Diáconos Permanentes, os Presidentes das Celebrações Dominicais na ausência do Presbítero e outras iniciativas do Povo de Deus que esclarecidamente quer avançar no caminho da Fé e da Crença.
É uma esperança que nas duas Comunidades São Miguel do Mato e Fermedo: um Diácono Permanente e um Presidente de Celebração Dominical na ausência do Presbítero sejam ma realidade. E têm um rosto: O Jovem Vítor de São Miguel do Mato e o Senhor Valdemar de Fermedo.
Excelente iniciativa do Povo de Deus e da Diocese.
Parabéns!
São Miguel do Mato, Vigararia de Arouca e Vale de Cambra.
Novo Pároco e Coadjutor tomam posse da paroquialidade e cuidado pastoral desta Paróquia singular e característica da referida Vigararia .
São os sacerdotes Agostinho Watela e Arnaldo Farinha que entram oficialmente ao Serviço desta Paróquia.
Rodeada de largas e extensas áreas de matas e pinheirais, o título é-lhe perfeitamente adequado.
Lá está o Arcanjo São Miguel Guardião e Patrono da Igreja Matriz e as suas gentes que lhe conferem um ar de animação e entusiasmo típico de um povo bom, trabalhador e sadia Fé Cristã.
Com a Presidência e Apresentação Oficial do Jovem Vigário de Arouca P. Paulo Teixeira a Celebração teve o seu inicio pelas 15.00 horas em cenário animado, alegre num contexto de fé e simpatia deste Pároco com seis paróquias espalhadas pelas encruzilhadas das Serras de Arouca onde as quatro rodas se agarram nas curvas na ânsia de chegar a horas aos serviços
ou qual anjo alado equilibrado sobre as duas rodas apressadamente correndo por onde o veículo das quatro não cabe e as veredas o podem deixar entalado.
Sente-se no ambiente da Celebração Festiva o fruto pastoral de um trabalho personalizado dos Párocos anteriores, Padre Benjamim e particularmente o Reverendo Padre Manuel Santos Silva que esteve uma boa dose de anos à frente dos destinos da Paróquia.
O que se sentiu e viveu na Celebração, reflectido nos rostos das crianças, adolescentes, jovens, mais crescidos e de gente de mais idade. Foi bonito de se
ver e de se sentir.
De referir a extensão da freguesia, a quantidade de lugares de culto espalhados por tão ampla zona.
Os tempos vão mudando e não há lugar para desanimar e baixar os braços. Novos dinamismos afloram nas Comunidades: Os Diáconos Permanentes, os Presidentes das Celebrações Dominicais na ausência do Presbítero e outras iniciativas do Povo de Deus que esclarecidamente quer avançar no caminho da Fé e da Crença.
É uma esperança que nas duas Comunidades São Miguel do Mato e Fermedo: um Diácono Permanente e um Presidente de Celebração Dominical na ausência do Presbítero sejam ma realidade. E têm um rosto: O Jovem Vítor de São Miguel do Mato e o Senhor Valdemar de Fermedo.
Excelente iniciativa do Povo de Deus e da Diocese.
Parabéns!
Terminada a Celebração seguiu-se para Fermedo para às 17.30 se proceder a acto idêntico neste tradicional, histórica e simpática Freguesia de Arouca.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Motivo para Pensar!
Recebi de um amigo o video que inseri. É, em absoluto, motivo para meditar e quase de
poderia dizer que é aterrador. O mundo ocidental tem aqui um bom motivo para meditar.
E, sabe-se, lá, um bom motivo para mudar de actuação consigo e com os outros. Agir para
com os outros, como os outros agem com o ocidente. Medite-se.
sábado, 4 de setembro de 2010
GANHEI CORAGEM !!! Rubem Alves.
GANHEI CORAGEM
Rubem Alves
... colunista da Folha de S. Paulo ...
"Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente
tem coragem para aquilo que ele realmente conhece",
observou Nietzsche.
É o meu caso.
Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo.
Por medo.
Alberto Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe
acerca da hora em que a coragem chega:
"Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos".
Tardiamente.
Na velhice.
Como estou velho, ganhei coragem.
Vou dizer aquilo sobre o que me calei:
"O povo unido jamais será vencido", é disso que eu tenho medo.
Em tempos passados, invocava-se o nome de Deus
como fundamento da ordem política.
Mas Deus foi exilado e o "povo" tomou o seu lugar:
a democracia é o governo do povo.
Não sei se foi bom negócio;
o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável,
é de uma imensa mediocridade.
Basta ver os programas de TV que o povo prefere.
A Teologia da Libertação sacralizou o povo
como instrumento de libertação histórica.
Nada mais distante dos textos bíblicos.
Na Bíblia, o povo e Deus andam sempre em direções opostas.
Bastou que Moisés, líder, se distraísse na montanha
para que o povo, na planície,
se entregasse à adoração de um bezerro de ouro.
Voltando das alturas, Moisés ficou tão furioso
que quebrou as tábuas com os Dez Mandamentos.
E a história do profeta Oséias, homem apaixonado!
Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava!
Mas ela tinha outras idéias.
Amava a prostituição.
Pulava de amante e amante enquanto o amor de Oséias
pulava de perdão a perdão.
Até que ela o abandonou.
Passado muito tempo, Oséias perambulava solitário
pelo mercado de escravos.
E o que foi que viu?
Viu a sua amada sendo vendida como escrava.
Oséias não teve dúvidas.
Comprou-a e disse:
"Agora você será minha para sempre.".
Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa
numa parábola do amor de Deus.
Deus era o amante apaixonado.
O povo era a prostituta.
Ele amava a prostituta, mas sabia que ela não era confiável.
O povo preferia os falsos profetas aos verdadeiros,
porque os falsos profetas lhe contavam mentiras.
As mentiras são doces;
a verdade é amarga.
Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola
com pão e circo.
No tempo dos romanos, o circo eram os cristãos
sendo devorados pelos leões.
E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos!
As coisas mudaram.
Os cristãos, de comida para os leões,
se transformaram em donos do circo.
O circo cristão era diferente:
judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas.
As praças ficavam apinhadas com o povo em festa,
se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos.
Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro
"O Homem Moral e a Sociedade Imoral"
observa que os indivíduos, isolados, têm consciência.
São seres morais.
Sentem-se "responsáveis" por aquilo que fazem.
Mas quando passam a pertencer a um grupo,
a razão é silenciada pelas emoções coletivas.
Indivíduos que, isoladamente,
são incapazes de fazer mal a uma borboleta,
se incorporados a um grupo tornam-se capazes
dos atos mais cruéis.
Participam de linchamentos,
são capazes de pôr fogo num índio adormecido
e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival.
Indivíduos são seres morais.
Mas o povo não é moral.
O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.
Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional,
segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade.
É sobre esse pressuposto que se constrói a democracia.
Mas uma das características do povo
é a facilidade com que ele é enganado.
O povo é movido pelo poder das imagens
e não pelo poder da razão.
Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens.
Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista
que produz as imagens mais sedutoras.
O povo não pensa.
Somente os indivíduos pensam.
Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam
a ser assimilados à coletividade.
Uma coisa é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham.
Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo.
Jesus foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás.
Durante a revolução cultural, na China de Mao-Tse-Tung,
o povo queimava violinos em nome da verdade proletária.
Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar.
O nazismo era um movimento popular.
O povo alemão amava o Führer.
O povo, unido, jamais será vencido!
Tenho vários gostos que não são populares.
Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos.
Mas, que posso fazer?
Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche,
de Saramago, de silêncio;
não gosto de churrasco, não gosto de rock,
não gosto de música sertaneja,
não gosto de futebol.
Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo,
eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos
e a engolir sapos e a brincar de "boca-de-forno",
à semelhança do que aconteceu na China.
De vez em quando, raramente, o povo fica bonito.
Mas, para que esse acontecimento raro aconteça,
é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute:
"Caminhando e cantando e seguindo a canção.",
Isso é tarefa para os artistas e educadores.
O povo que amo não é uma realidade, é uma esperança.
Rubem Alves
Rubem Alves
... colunista da Folha de S. Paulo ...
"Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente
tem coragem para aquilo que ele realmente conhece",
observou Nietzsche.
É o meu caso.
Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo.
Por medo.
Alberto Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe
acerca da hora em que a coragem chega:
"Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos".
Tardiamente.
Na velhice.
Como estou velho, ganhei coragem.
Vou dizer aquilo sobre o que me calei:
"O povo unido jamais será vencido", é disso que eu tenho medo.
Em tempos passados, invocava-se o nome de Deus
como fundamento da ordem política.
Mas Deus foi exilado e o "povo" tomou o seu lugar:
a democracia é o governo do povo.
Não sei se foi bom negócio;
o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável,
é de uma imensa mediocridade.
Basta ver os programas de TV que o povo prefere.
A Teologia da Libertação sacralizou o povo
como instrumento de libertação histórica.
Nada mais distante dos textos bíblicos.
Na Bíblia, o povo e Deus andam sempre em direções opostas.
Bastou que Moisés, líder, se distraísse na montanha
para que o povo, na planície,
se entregasse à adoração de um bezerro de ouro.
Voltando das alturas, Moisés ficou tão furioso
que quebrou as tábuas com os Dez Mandamentos.
E a história do profeta Oséias, homem apaixonado!
Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava!
Mas ela tinha outras idéias.
Amava a prostituição.
Pulava de amante e amante enquanto o amor de Oséias
pulava de perdão a perdão.
Até que ela o abandonou.
Passado muito tempo, Oséias perambulava solitário
pelo mercado de escravos.
E o que foi que viu?
Viu a sua amada sendo vendida como escrava.
Oséias não teve dúvidas.
Comprou-a e disse:
"Agora você será minha para sempre.".
Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa
numa parábola do amor de Deus.
Deus era o amante apaixonado.
O povo era a prostituta.
Ele amava a prostituta, mas sabia que ela não era confiável.
O povo preferia os falsos profetas aos verdadeiros,
porque os falsos profetas lhe contavam mentiras.
As mentiras são doces;
a verdade é amarga.
Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola
com pão e circo.
No tempo dos romanos, o circo eram os cristãos
sendo devorados pelos leões.
E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos!
As coisas mudaram.
Os cristãos, de comida para os leões,
se transformaram em donos do circo.
O circo cristão era diferente:
judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas.
As praças ficavam apinhadas com o povo em festa,
se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos.
Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro
"O Homem Moral e a Sociedade Imoral"
observa que os indivíduos, isolados, têm consciência.
São seres morais.
Sentem-se "responsáveis" por aquilo que fazem.
Mas quando passam a pertencer a um grupo,
a razão é silenciada pelas emoções coletivas.
Indivíduos que, isoladamente,
são incapazes de fazer mal a uma borboleta,
se incorporados a um grupo tornam-se capazes
dos atos mais cruéis.
Participam de linchamentos,
são capazes de pôr fogo num índio adormecido
e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival.
Indivíduos são seres morais.
Mas o povo não é moral.
O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.
Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional,
segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade.
É sobre esse pressuposto que se constrói a democracia.
Mas uma das características do povo
é a facilidade com que ele é enganado.
O povo é movido pelo poder das imagens
e não pelo poder da razão.
Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens.
Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista
que produz as imagens mais sedutoras.
O povo não pensa.
Somente os indivíduos pensam.
Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam
a ser assimilados à coletividade.
Uma coisa é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham.
Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo.
Jesus foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás.
Durante a revolução cultural, na China de Mao-Tse-Tung,
o povo queimava violinos em nome da verdade proletária.
Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar.
O nazismo era um movimento popular.
O povo alemão amava o Führer.
O povo, unido, jamais será vencido!
Tenho vários gostos que não são populares.
Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos.
Mas, que posso fazer?
Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche,
de Saramago, de silêncio;
não gosto de churrasco, não gosto de rock,
não gosto de música sertaneja,
não gosto de futebol.
Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo,
eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos
e a engolir sapos e a brincar de "boca-de-forno",
à semelhança do que aconteceu na China.
De vez em quando, raramente, o povo fica bonito.
Mas, para que esse acontecimento raro aconteça,
é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute:
"Caminhando e cantando e seguindo a canção.",
Isso é tarefa para os artistas e educadores.
O povo que amo não é uma realidade, é uma esperança.
Rubem Alves
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
domingo, 22 de agosto de 2010
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Homenagem do Blog à Jovem Cristiana Josefa Ferreira Santos !
Homenagem do Blog
à Jovem Cristiana Josefa Ferreira Santos ,
de 21 anos,
da Corporação do Bombeiros Voluntários de Lourosa
que o fogo com certeza criminoso retirou da nossa convivência
tão cedo e tão breve!
Gritos e Clamores de Revolta!
Lourosa e Fiães de lágrimas nos olhos
e com saudade se despedem desta Jovem exemplar
e com futuro promissor.
Funeral hoje Quinta-feira 12 de Agosto
com saída do Quartel dos Bombeiros Voluntários de Lourosa
e às 18.00 horas na Igreja Matriz de Fiães,
seguindo para o Cemitério local
A Juventude tão pobre em valores humanos,
sociais
e solidários
fica mais miserável!
Paradoxo “partem os bons e ficam os maus”
Lição : “Vou deixar de ser mau e imitar a JOSEFINHA!”
http://www.peticaopublica.com/?pi=BVCJSPT
"Fogo" Flagelo Nacional
Neste “jogo” de nuvens fumarentas, que nos alertam para a desgraça que se avizinha não nos permitem sequer perceber a dimensão da catástrofe Nacional. Já vivemos á muitas décadas com este cenário devastador que são os fogos, com o desgaste das corporações feitas de homens e mulheres que lutam para salvar o que não é deles, e ao mesmo tempo continuamos todos, sem excepção a dormir á sombra de uma árvore já queimada e podre que não aguenta por muito mais tempo com a nossa indiferença por toda esta situação. A minha homenagem a esta jovem que se recusava a deixar um desafio por enfrentar.
domingo, 8 de agosto de 2010
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
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