A freguesia 31 – crónicas III
Somos sempre mais céleres a criticar a mediocridade do que a enaltecer o mérito. E esta velha máxima aplica-se ao que quer e a quem quer que seja. Sob um ponto de vista estritamente politico, talvez esse facto possa ser explicado por verificarmos que no primeiro caso os exemplos de mediocridade, infelizmente para todos nós, abundam, enquanto que no segundo se contam pelos dedos de uma mão todas as iniciativas verdadeiramente dignas de figurarem nesse registo. É no meu entender o caso da festa/comício do Partido Socialista, do passado dia 13. Permitam-me pois que dedique algumas linhas a este assunto.
Irrepreensível até ao momento, a campanha da Fátima Oliveira, naturalmente coadjuvada por toda uma equipa fortemente motivada, tem tido o condão de saber mobilizar não só as suas tradicionais hostes, note-se a este propósito que conseguiu o feito inédito de reunir no “salão nobre” da freguesia alguns largos milhares de pessoas, mas sobretudo porque tem sabido criar ao mesmo tempo, através de mensagens claras e objectivas, a necessária empatia com o eleitorado Caldense que começa cada vez mais a rever-se (e isto meus caros, não sou apenas eu que o digo), neste projecto socialista de governação autárquica.
Ora, enquanto o PS exibe orgulhosamente esta clara e inequívoca dinâmica de vitória, será legítimo que perante essa constatação, nos perguntemos por onde anda, e a fazer o quê, a direita? (suspeito que o “Quim Barreiros” teria resposta pronta para esta pergunta de retórica, isto porque no caso concreto das Caldas, a “direita”, ou melhor, esta “direita”, pouco mais tem sido do que … irmã da canhota) ou se preferirmos e visto sob o ângulo sugerido pela publicidade apensa ao “Blog” … Já todos sabemos quem foste numa vida passada.
Ora, dizia eu …não fosse a criatividade do nosso estimado Hermínio Mota, (de facto mais ninguém se lembraria de ancorar na improvisada marina das Caldas de S. Jorge, uma lancha à vela com o intuito de fazer passar, ainda que à boleia dos ventos socialistas, a sua mensagem política), e quase diríamos que a direita se encontra praticamente eclipsada.
Pena é que este PSD, em tudo diferente daquele outro com óbvias e históricas responsabilidades para com a freguesia, não tivesse sabido aproveitar a deixa do CDS-PP para, a reboque deste, ter plantado umas quantas bóias de sinalização quanto mais não fosse com o pretexto de que estariam a apoiar o comércio local, nomeadamente o negócio das gaivotas a pedal. Mas isto é claro, sou eu a dizer.
Estou até tentado a afirmar que este PSD, acabou por se tornar refém de si próprio, vítima de algumas eminências pardas, as tais da itinerância processional a que já aludi no passado, e que por via das suas escolhas ou da forma como nelas influíram, demonstraram perceber tanto de política autárquica como eu de lagares de azeite. (veja-se por exemplo o caso de Lobão). Ao mesmo tempo, esta aparente estratégia bacoca de silêncio auto infligido a que o PSD está votado e que se traduz numa continuada e irritante inércia, serve não só para alimentar a bipolarização da direita, com clara vantagem para o CDS-PP de Hermínio Mota, como acentua ainda mais o desrespeito pelos seus militantes (recordo que muitos deles foram preteridos a favor de uma lista de independentes, alguns JÁ convertidos e outros, ainda em vias de se converterem) militantes esses, dizia eu, cada vez mais ansiosos por um qualquer sinal de vitalidade que teima em aparecer. É claro que neste contexto, uma vitória do PSD nas eleições de Outubro seria uma espécie de “disparate” de Outono.
Vou terminar por hoje com uma questão que me parece fulcral e que não tem sido referida ao longo desta curta campanha mas que por razões óbvias pode ser determinante na orientação de voto dos Caldenses.
Seria interessante e esclarecedor conhecermos o posicionamento de cada uma das forças políticas no que respeita às mais do que prováveis coligações pós eleitorais. Dito de outra forma. Trata-se de saber em que medida e com que termos cada uma das listas, estaria disponível para viabilizar um executivo pluripartidário, se como tudo indica nenhum dos partidos conseguir obter a necessária maioria. As opções não são muitas,
PS/PSD ; CDS-PP/PSD ; CDS-PP/PS e por fim CDU/CDU.
Até já
bettencourt
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