Por uma questão de princípio, entendo que a “Censura é profundamente Censurável”.
Essa foi, estou certo, uma indesmentível condição que Abril nos proporcionou no já quase longínquo ano de 1974.
E nós sabemos quem e quais foram os baluartes dessa condição de liberdade a que nos fomos ambientando durante estas últimas três décadas. Basta conhecer um pouco da história deste nosso Portugal marítimo, republicano e laico.
Ponto final.
Por isso, se por um lado, não vemos com bons olhos qualquer pretensão em aniquilar representações menos seguidistas da nossa classe de dirigentes governamentais, como no caso de um dos carnavais realizados no continente português (penso que em Torres Vedras), ou ainda da apreensão de meia dúzia de livros que se encontravam à venda numa feira algures no nosso país, por outro lado, também não concebemos a institucionalização de tendências na área educativa, como parece estar a acontecer no caso que vos passarei a relatar.
Trata-se de um caso que, pelo que me disseram (e eu não tenho razões para duvidar da fonte), resvala para a mais profunda falta de... sentido de oportunidade (por respeito aos educandos).
Este é o caso de uma “professorazinha” de tenra idade que “lecciona” aulas teórico/práticas de política partidária na nossa Escola de Caldelas (vulgo Escola Nova).
Dizem as “más línguas” dos alunos da terceira ou quarta classe, esses pequenos “endiabrados” que falam verdades, que a dita “professorazinha” parodia quase diariamente o nosso Primeiro Ministro e os “Magalhães” que, a conta-gotas, cá vão chegando.
De facto, no meu tempo era diferente. No meu tempo, sou bem capaz de ter ouvido falar no navegador Fernão Magalhães e dos seus feitos na circum-navegação oceânica.
No meu tempo, aprendia a tabuada. No meu tempo, aprendia a ler. No meu tempo, fazia redacções sobre a Primavera.
Agora, pelos vistos, as coisas estão diferentes na nossa “velha” Escola Nova de Caldelas:
- o que está a dar são umas anedotas e umas galhofadas sobre o Sócrates logo à primeira hora da manhã.
Como disse em tempos, as correntes de opinião ou as diferentes sensibilidades fazem parte da história recente do nosso país e das nossas vidas. Isso é tremendamente salutar.
Mas, no caso em análise, não creio que a escola seja o local mais adequado para fazer infantis e escandalosas campanhas partidárias sob a égide de um “pequeno” canudo obtido algures na área da educação.
Começo a perceber o porquê de umas quantas manifestações que por esse país foram organizadas e muito participadas.
De facto, dos fracos não reza a história...
Até sempre.
(ando por aí...)
Post Scriptum: ESTE CASO NÃO ALTERA O PROFUNDO RESPEITO QUE TENHO PELA CLASSE DOS PROFESSORES NA SUA GENERALIDADE.Atento73