Há muitos, muitos anos, numa terra longínqua desta nossa constelação de estrelas, haviam uns meninos e meninas que, uma vez por ano, mais ou menos 40 dias antes da Páscoa, realizavam uma grandiosa festa pagã. Com desfiles e tudo.
Tal efeméride, estava quase a atingir a maioridade quando, por razões aparentemente explicáveis, alguém (des)apareceu e atrás de si levou outros foliões que a faziam encorpar.
Estiveram quase a dar o salto, tendo até surgido oportunidades para desfilar noutras paragens à beira mar).
Mais subsídio menos subsídio (este último em larga escala), aquela festa ia crescendo com a incansável dedicação de simples anónimos que, fizesse sol, fizesse chuva, representavam quase na perfeição os Romanos, os Egípcios, os Chineses, as Freiras, os Pinguins, os Gatos e os Ratos ou o Batatoon. Eram uma boa MALTA, TODOS eles DIFERENTES e TODOS eles IGUAIS e que, quando se juntavam, mais pareciam uma verdadeira ALA DE NAMORADOS.
Nesses tempos, havia bairrismo, mas também um sentimento comum de apego à terra; havia combate mas também lealdade; havia vontade de ser melhor, mas também reconhecimento ou sinceros desabafos do tipo “...parabéns, até pró ano que vem...”.
E havia um Júri.
Mais coisa menos coisa, vivia-se por muitas semanas, o espírito folião. “- Este vai ser o nosso ano...” - ouvia-se muitas vezes.
Pois era com base nestes pressupostos, que a “coisa” se ia aguentando e, imagine-se, melhorando ano após ano.
Mas um dia, os (míseros) apoios começaram a claudicar. Pinga atrás de pinga, eles deixaram de chegar (pelo menos no período que mais falta faziam). Mesmo de quem lhe emprestava o nome, os parcos reis apareciam tarde e a más horas.
Tudo esmoreceu.
Com outros que entretanto haviam chegado, a terra foi mantendo a tradição. Com menos brilhantismo, é certo, mas, a verdade é que continuou.
Só que, criaram depois novas regras:
- Não. Não há Júri. Essa coisa infame.
- Subsídios? Nem pensar. O mais que podem fazer é vender umas rifas sem controlo algum. Um tipo que nem goste de folias, pode muito bem, à sombra de um papel branco com a impressão de uma máscara e dois balões com a inscrição “08, passar esse fim-de-semana prolongado numa qualquer pousada de charme.
Ou então, o grupo que se revelar mais perspicaz e audaz, conseguirá, ao fim de meia dúzia de dias, arrebatar o grosso dos parcos contributos que o povo vai ofertando.
Depois...
Bom. Depois são é horas de dormir. Um dia destes a história continua.
Boa noite...
Atento73