O Bloco de Esquerda coloca várias reservas ao recentemente anunciado Plano de Apoio à Cortiça.
Analisando o plano apresentado, as medidas específicas para o sector corticeiro são apenas 2, sendo uma relativa à criação de uma linha de crédito para o sector corticeiro e outra para investimento em promoção do sector no estrangeiro.
O BE considera estas medidas escassas, sem a profundidade necessária para responder à crise social gerada, nem a capacidade de corrigir o afunilamento dos horizontes do sector da cortiça.
No contexto de uma crise económica e social grave, o BE não compreende como é possível o Governo PS anunciar estas medidas sem, sequer, exigir a manutenção de postos de trabalho nas empresas que recorrem ao Plano de Apoio à Cortiça.
O Bloco de Esquerda considera, assim, estas medidas desgarradas, mais parecendo operações de marketing do governo e de pré campanha eleitoral, financiadas com o dinheiro de todos os portugueses, do que verdadeiras saídas para a crise.
O BE questiona:
Ø Que empresários e empresas vão ser beneficiadas com este pacote? Serão novamente “os de sempre”?
Ø Como tenciona o governo regular iguais condições de acesso aos mercados externos a todos os empresários?
Ø Quantos postos de trabalho vão ser criados?
Ø Que garantias exige o Governo às empresas que recorram à linha de crédito?
Ø Servirão estes milhões para novos despedimentos “encapuçados”?
Para o BE uma vez mais, o Governo de José Sócrates prefere arranjar soluções para quem tem dinheiro, mas esquece os restantes portugueses. Tal como na banca, em que José Sócrates correu a salvar as fortunas, também no sector corticeiro o mesmo acontece, com José Sócrates a ignorar por completo os desempregados e os trabalhadores.
Até hoje, José Sócrates nunca despendeu um segundo do seu tempo com os desempregados do Concelho de Santa Maria da Feira, nem uma simples frase de solidariedade proferiu. O BE gostava de ver este Governo a acudir os trabalhadores da mesma forma que acode os “barões” do sector da cortiça.
Quando o BE apresentou uma proposta na Assembleia da República para aumentar o tempo de subsídio de desemprego aos desempregados o PS votou contra. Mesmo assim continuamos a desafiar o Governo de Sócrates a combater a crise e a reconsiderar as propostas que o Bloco de Esquerda apresentou na Assembleia da República, e que o PS votou contra:
1. Proibição de despedimentos colectivos em empresas que dão lucro
2. Impedir pagamentos de dividendos aos accionistas de empresas que receberam subsídios ou benefícios públicos
3. Redução do Horário de trabalho para 35 horas semanais
4. Direito à reforma aos 40 de trabalho sem penalizações
5. Aumento das pensões e salário mínimo (Para chegar aos 600 euros em dois anos)
6. Subsidio para todos os desempregados (cerca de metade são hoje excluídos)
7. Impostos sobre as grandes fortunas para financiar a segurança social
8. Fim do segredo bancário
9. Encerramento de todos os off-shores

10. Nacionalização do sector energético
11. Predomínio do sector público na banca
12. Contratos efectivos para quem faz trabalho efectivo.