
Levantar tantas vezes e tão insistentemente a hipótese de vir a ser construída em Caldas de S. Jorge a Escola de Hotelaria, Turismo e Termalismo até que alguém responsável, da Câmara ou mais de cima, viesse dizer de forma clara e justificada que tal seria impossível.
Fruto das novas tecnologias e da (quase) generalização do acesso aos computadores, muita gente passou a ter a oportunidade de passar os seus pensamentos a mais alguém do que a habitual roda de amigos. Gente anónima ou assinada passou a debitar, e a dar a conhecer, opiniões sobre os mais diversos temas, sejam, sobretudo, locais ou sejam regionais ou até de âmbito mais alargado. E constata-se que, afinal, há muita gente, mais do que parecia, que tem opinião, precisa ou difusa, sobre muitas coisas de interesse para o naco de sociedade em que se insere. Opiniões, umas fundamentadas, outras mais ligeiras e apoiadas só no diz-que-diz e, às vezes, denunciadoras de falta de conhecimento, ou de informação, à volta das regras e leis que determinam o funcionamento de muitas instituições.
Tal procura de informação e difusão de pontos de vista leva a induzir que, num futuro próximo, vai ser tornada bem mais fácil a vida de quem tem que procurar gente para integrar listas de candidatos para o que quer que seja onde tenha que haver eleição: autarquias ou associações. É bom sinal. A menos que tudo o que se vê seja engano.
Um tema que salta muito para a tona de debates é o das competências e da capacidade de fazer obra por banda das autarquias locais e dos respectivos executivos, sobretudo nas freguesias pequenas, sem receitas próprias e sem património activo realizável.
Para além das rotinas de manutenção dos espaços que lhes estão confiados (valetas, rotundas ajardinadas, pequenos logradouros e alguns trabalhos que lhes competem por delegação – além, claro, das atribuições burocráticas de atendimento do público) competirá às juntas (de pequenas freguesias) procurar exercer a influência possível junto da Câmara, a única fonte de investimento, apresentando ideias que entendam ser concretizáveis e, se concretizadas, sejam carreadoras de mais-valia para a freguesia directamente e, indirectamente, para o concelho e para a sociedade.
Se as ideias forem estribadas, forem coerentes, deve ser mantido insistentemente o pedido, macio ou reivindicativo, até que seja concretizado ou haja uma resposta negativa, dada de forma clara e que possa ser exibida, também claramente, perante os fregueses. Como soe dizer-se, convém erguer algumas bandeiras e só as arrear se deceparem as mãos que as hasteiam.
1 - O CENTRO ESCOLAR, seria uma e poderia ser a primeira, por ser a de mais fácil resolução e estar prevista na Carta Educativa do concelho. Está-se dentro do prazo previsto na Carta Educativa, mas foram sendo criadas condições para se avançar, exactamente porque há colaborações disponibilizadas. E a demora nalgumas negociações pode acarretar consequências desagradáveis. E, na altura da inauguração oficial, há dois dias, de estrutura idêntica, no distrito de Viseu, foi noticiado que o Estado suporta 65 por cento do investimento nestes equipamentos de educação. Com o património alienável, mais a comparticipação do Estado, é bem capaz de sobrar um largo saldo positivo e, sobretudo, sobrariam muito melhores condições de vida escolar para os instruendos.
2 - A PARTICIPAÇÃO NO CORPO ACCIONISTA DA SOC. TURISMO, haveria de ser outra e com insistência constante até que se conseguisse o objectivo ou se ouvisse o rotundo não de quem de direito. E isso seria rotundamente comunicado à população. Muitos dos recém-promovidos a comentadores acham estranho que a Junta não faça parte e, por isso a criticam, ignorando o que tem sido feito para integrar, nomeadamente a nível institucional.
3 - Levantar tantas vezes e tão insistentemente a hipótese de vir a ser construída em Caldas de S. Jorge a Escola de Hotelaria, Turismo e Termalismo até que alguém responsável, da Câmara ou mais de cima, viesse dizer de forma clara e justificada que tal seria impossível. Claro que a justificação, caso não houvesse outra, seria sempre a de que os bons investimentos, os que implicassem novos conhecimentos, novas oportunidades e sobretudo investimentos limpos teriam que ser sempre aplicados no centro concelhio da cultura e do desenvolvimento e que o facto de ter junto a estância termal, para complemento e apoio, era de somenos importância. Se necessário os instruendos deslocar-se-ão dez quilómetros, pois claro. Será como fazer uma faculdade de medicina sem hospital por perto.
4 - Não descurar, até à exaustão, a comunicação pública e publicável em todos os suportes informativos, que a freguesia de Caldas de S. Jorge não dispõe de um espaço público fechado onde se possam reunir mais de 20 ou 30 pessoas e que se torna em absoluto necessária a construção de um auditório onde se levem a efeito palestras, debates, colóquios, conferências, etc. Outras freguesias têm conseguido tais investimentos. Será porque daqui não se reivindicou? Será porque daqui saem menos votos em certas direcções? Será estranho porque, desde há anos, há absoluta coincidência de coloração e é uso dizer-se que tal coincidência é sempre factor de bons olhares.
Acho que a insistência insistente (passe a redundância) terá influência, mais ainda lembrando que tudo o que por cá for feito valoriza imediata e directamente o investimento das Termas. Do mesmo modo que investimentos que outros não quiseram (PERM, por ex.) e coisas feias e desleixadas (ruínas a cair aos pedaços) desvalorizam e prejudicam grandemente o esforço de investimento nas Termas.
♦ José Pinto da Silva
IN TERRAS DA FEIRA ON-LINE